PESSOAS EM SITUAÇÃO DE RUA NO RIO

Moradores de Rua* Matéria publicada no site Diário do Rio

Por Felipe Lucena

 Não é de hoje que o Rio de Janeiro e outras cidades do Brasil e do mundo enfrentam uma grave situação. Contudo, devido a uma série de fatores, o problema vem aumentando no Rio. Dados recentes da prefeitura carioca apontam que 14.279 pessoas vivem nas ruas do munícipio. É quase o triplo das 5.580 registradas em 2013. A tendência é esse índice negativo subir ainda mais.

De acordo com estudiosos do assunto, a quantidade de moradores de rua cresceu junto com a crise econômica do estado, impulsionada pelo desemprego. Além da condição econômica, rompimentos com a família, abusos, álcool, drogas e transtornos mentais estão entre os principais motivos que levam a essa situação.

Segundo a Política Nacional para a População em Situação de Rua, essas pessoas são, em sua maioria, 82% do sexo masculino; 53% com idade entre 25 e 44 anos; 67% são negros; A maior parte (52,6%) recebe entre R$20,00 e R$80,00 semanais. Desses, 70,9% exercem alguma atividade remunerada. Apenas 15,7% pedem dinheiro como principal meio para a sobrevivência.

“Olham para a gente com nojo ou medo. Quando olham. Nem todos somos ladrões. A gente dorme na rua porque não tem outro jeito. Se abrigo fosse bom, não tinha ninguém dormindo em calçada”, contou Reinaldo, de 35 anos, que vive nas ruas do Centro do Rio há cerca de cinco anos.

A prefeitura da cidade do Rio de Janeiro tem 38 abrigos próprios, 22 conveniados e dois Hotéis Acolhedores, que são apenas para pernoitar. No total são 2177 vagas para uma população de mais de 14 mil pessoas, o que dá cerca de seis moradores de rua para cada leito.

A Secretaria de Assistência Social do governo Marcelo Crivella emitiu que é preciso aumentar o número de abrigos e intensificar o programa “De volta a terra natal”, que prevê o retorno de pessoas em situação de rua para suas cidades de origem. Além disso, Teresa Bergher, a responsável pela Secretaria, afirmou que vai incluir os moradores de rua em um cadastro único, para que eles sejam inseridos nos programas de complementação de renda, como o cartão família carioca.

Paralelo ao crescimento do problema surgem formas ativas de combater a grave situação. O Projeto RUAS (Ronda Urbana de Amigos Solidários Ações), criado em 2014, é uma delas. A iniciativa, que atualmente conta com cerca de 50 voluntários – ao todo já passaram mais de 300 -, consiste em ajudar pessoas em situação de rua das mais variadas formas. Nesses três anos de trabalho, oito pessoas em situação de rua retornaram para casa, 20 foram encaminhadas para obter identificação civil, três conseguiram emprego, quatro se encontram em processo de reabilitação (sendo acompanhadas por voluntários do Projeto), um passou por um tratamento em uma casa de reabilitação para usuários de drogas e segue trabalhando desde o final de 2016, além de outros resultados positivos.

Projeto RUAS em ação

Projeto RUAS em ação

 

“É necessário ter políticas públicas eficientes para promover a cidadania e a geração de renda. A maioria das pessoas que estão em situação de rua não recebeu uma boa base de educação, alguns se desenvolveram em ambientes hostis, sem referências, oportunidades e com vínculos familiares rompidos. Além disso, a sociedade precisa entender essa problemática de forma mais empática, principalmente na Zona Sul do Rio de Janeiro, infelizmente, ainda encontramos muitas pessoas revoltadas por encontrar uma pessoa em situação de rua no seu bairro, esquecendo-se que cada indivíduo, independentemente da situação em que se encontra, é um ser humano, com anseios, talentos e rico em potencialidades”, opinou Allini Fernandes, cofundadora do Projeto RUAS.

Ajuda ao projeto RUAS

Ajuda ao Projeto RUAS

 

No debate sobre a questão, surgem ideias diferentes. Muitas pessoas acreditam que embora o Poder Público precise estar atento ao problema, é preciso, também, que as pessoas atuem de forma mais intensa: “São necessárias ações concretas em conjunto com a sociedade civil e principalmente o interesse dos indivíduos que encontram em vulnerabilidade social desejarem levar uma vida com qualidade seja ela onde for. Por fim, o presente artigo tem a finalidade de provocar no leitor a ideia de articulação entre estado e sociedade para a superação de estigmas e preconceitos junto ao imaginário social, a partir de socialização de pesquisas, realização de debates, uso educativo da mídia e formação de multiplicadores, de modo que esses sujeitos possam ter visibilidade – mas como sujeitos de fato e de direitos”, escreveu Luiz Marcio Amaral de Matos, enfermeiro especializado em ações sociais, para o Portal Educação.

Dentro do problema, existem outras questões paralelas. As drogas – lícitas ou ilícitas –  são um fantasma constante para quem vive em situação de rua. Há quem entre nessa triste realidade por consequência de algum vício e quem entre no vício por estar nessa triste realidade.

“Eu não uso nada, só bebo. Mas muita gente usa. É o jeito. Nessa situação que a gente vive, acaba sendo o jeito”, frisou Pedro, de 50 anos, morador da região central da cidade do Rio de Janeiro. Pedro está em situação de rua desde quando chegou ao Rio, a sete anos, vindo do Paraná.

Outro ponto alarmante são as crianças. No final do ano de 2012, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República realizou uma pesquisa em 75 cidades do país (entre elas o Rio de Janeiro), e constatou mais de 24 mil meninos e meninas em situação de rua no Brasil. Os principais motivos são: discussão com pais e irmãos (32,3%); violência doméstica (30,6%) e uso de álcool e drogas (30,4%). Passados quase cinco anos completos, os números tendem a ter subido ainda mais.

Muitas cidades em diversos países conseguiram controlar de forma mais efetiva o problema das pessoas em situação de rua. Algumas com políticas públicas, outras com ações mais voltadas ao mercado de trabalho e à sociedade civil. O Rio de Janeiro precisa achar o seu caminho, afinal, essa situação não é boa para ninguém.


CARNAVAL DE LETRAS

*Matéria publicada na revista Beija-Flor de Nilópolis – uma escola de vida

Por Felipe Lucena 

Para um país do porte do Brasil, com o protagonismo que tem na América do Sul e o destaque no restante do mundo, essa e outras colocações no quesito leitura são extremamente negativas. É preciso popularizar a literatura no Brasil. Este ano de 2017, a Beija-Flor de Nilópolis terá como enredo “A Virgem dos Lábios de Mel – Iracema”, inspirado no romance Iracema, de José de Alencar. A junção de carnaval, a festa mais popular do planeta, com uma obra literária pode colaborar em algum ponto para a disseminação do hábito de ler em terras tupiniquins.

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 Embora o mundo esteja mudando em alta velocidade e diversos conceitos, num piscar de olhos, passam a ser página virada, a ideia de que a leitura melhora as pessoas ainda é muito constante. Entre os comprovados benefícios do hábito de ler estão o estímulo à criatividade, o enriquecimento do mapa referencial, o fortalecimento da memória, o aumento da capacidade de reflexão, entre outros. Sim. Ler é muito importante.

“É possível que um analfabeto ou alguém que não tenha lido um livro na vida possa revelar uma sabedoria natural, um senso comum agudo e até uma grande carga de poesia. Conheci algumas pessoas assim na minha vida. Entretanto, o mais natural é que um país que não lê ou que aparece, como o Brasil, entre os piores leitores do mundo, esteja comprometendo seu desenvolvimento futuro – não apenas cultural, mas também econômico. Mais ainda, dificilmente entrará no rio da modernidade e do progresso um país não-leitor ao mesmo tempo que será refém dos poderes dominantes”, disse o jornalista e escritor Juan Arias em um texto no El País Brasil.

Em 2014, o Market Research World, respeitado instituto de pesquisa britânico, publicou o Índice de Cultura Mundial, ranking que se refere aos hábitos culturais dos países, entre eles a leitura. Nesta lista da Market Research World, que teve trinta nações analisadas, o Brasil apareceu em 27º, com médias de leitura que rondam menos da metade de tempo que dedicam na Índia, a população que mais lê em todo o planeta.

A Índia ocupa essa posição desde 2005. Os indianos dedicam aos livros, em média, 10 horas e 42 minutos semanais. Os seguintes três postos também são ocupados por países da Ásia: Tailândia, China e Filipinas. O quinto é o Egito. Posteriormente vem a nação europeia melhor colocada, a República Tcheca, seguida por Rússia, Suécia (empatada com a França), e depois Hungria – ao lado da Arábia Saudita. Sobre América Latina, o país mais leitor é a Venezuela, no 14º lugar. Depois vêm a Argentina, em 18º.

Para um país do porte do Brasil, com o protagonismo que tem na América do Sul e o destaque no restante do mundo, essa e outras colocações no quesito leitura são extremamente negativas. É preciso popularizar a literatura no Brasil. Este ano de 2017, a Beija-Flor de Nilópolis terá como enredo “A Virgem dos Lábios de Mel – Iracema”, inspirado no romance Iracema, de José de Alencar. A junção de carnaval, a festa mais popular do planeta, com uma obra literária pode colaborar em algum ponto para a disseminação do hábito de ler em terras tupiniquins.

Em maio do ano passado, foi divulgada uma pesquisa do Retratos da Leitura que apontava que 44% da população brasileira não lê e 30% nunca comprou um livro. O brasileiro lê apenas 4,96 livros por ano. Desses, 0,94 são indicados pela escola e 2,88 lidos por vontade própria.  Do total de livros lidos, 2,43 foram terminados e 2,53 lidos em partes e não finalizados.

Júlio Silveira, curador do evento literário “LER – Salão Carioca do Livro”, que aconteceu em novembro de 2016, no Pier Mauá, na Zona Portuária da cidade do Rio de Janeiro, aposta na força das feiras literárias e na potência agregadora da leitura:

“Acreditamos no poder do livro e quisemos reunir pessoas e histórias diferentes, para gerar novas ideias. Temos todo respeito e admiração pelos outros festivais literários, eles são muito importantes, mas na hora de conceber o LER, vimos que nossa diferença seria justamente abraçar as diferenças. Assim, procuramos todas as vozes: jovens, negros, geeks, índios, acadêmicos, blogueiros e muito mais. Tivemos um bom resultado”, afirma Júlio.

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Os números preocupantes não param. Um levantamento do Movimento Todos Pela Educação, realizado há sete anos, com base no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), analisou 65 países. O resultado foi que cerca de 40% dos estudantes brasileiros declararam possuir, no máximo, dez obras literárias. Somente 1,9% é dono de mais de 200 volumes. O estudo apontou que a baixa escolaridade do país e a situação socioeconômica ruim são os principais motivos. Considerando os recentes fracassos nos programas de educação e a situação econômica pouco positiva do Brasil, a tendência natural deste grave problema é não ter melhorado tanto ao longo dos últimos anos.

Jornalista e escritor, Xico Sá, é, acima de tudo, um leitor. Membro do projeto “Você É O Que Lê” (ao lado de Maria Ribeiro, Gregório Duvivier) que tem como intenção principal debater a literatura em todo o Brasil, Xico julga que o hábito de ler deve ser algo atrativo, não ser tratado como um alvo distante, inalcançável.

“Não temos uma crise da escrita no Brasil. A crise é de leitores, não de escritores. A literatura deve ser algo interessante, não ficar nessa de ser algo que só certas pessoas podem ter acesso. Assim, nós teremos mais gente lendo”, frisa o autor.

Um dos lados deste problema que é a falta de uma grande população leitora no Brasil é composto pelas editoras. Como é a situação de quem produz livro em nosso país?

“Em nossa visão, o futuro do mercado editorial é a venda de livros impressos sob demanda e eBooks por seus próprios autores, acabando com as intermediações. Esse foi o grande benefício que a internet trouxe que foi a possibilidade de contato direto entre o produtor do conteúdo e o consumidor sem intermediários, como aconteceu com o mercado fonográfico.  Sobre o autor, que é a peça mais importante dessa cadeia, precisa de mais valorização. No nosso modelo de negócio o autor define o quanto receberá na venda do livro impresso e na venda do eBook. Ele define o preço de venda e fica com quase 70% da receita da venda”, opina Antônio Hercules Junior, criador da Editora Perse, que trabalha com a publicação online  e impressa de novos autores.

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As livrarias também têm seu capítulo nesse drama. Como é sabido, a venda de livros no Brasil é inferior a de muitos países. Contudo, usando de novos artifícios, entre eles a venda online, essas empresas vão se mantendo no mercado. De acordo com o site Publishnews, os três livros mais vendidos em nosso país em 2016 são de seguimentos populares por aqui: literatura infanto-juvenil internacional, autoajuda e biografias. Os títulos são: Harry Potter e a criança amaldiçoada, J. K. Rowling (Rocco); O homem mais inteligente da história, Augusto Cury (Sextante); Rita Lee – uma autobiografia, Rita Lee (Globo Livros).

Os autores não poderiam ficar fora da narrativa. André Vianco, escritor brasileiro com uma história repleta de best selers, acredita que a literatura é fundamental para a sociedade e diz que a vida de escritor não é fácil, mas com esforço se consegue.

“Comecei a escrever há 16 anos e hoje vivo de literatura. Existem as dificuldades, principalmente no início, no entanto, é possível. Com dedicação e seguindo as ideias certas, é possível. Sobre o público, é evidente que nós, brasileiros, precisamos ler mais”, destaca André, que dá cursos para jovens escritores no site Vivendo de Inventar.

São muitas páginas da mesma história, mas o desfecho do enredo deve ser esse: precisamos incentivar, cada vez mais, independentemente dos meios, a leitura no Brasil. E o carnaval pode sim ser um instrumento para isso.


VOLTA OLÍMPICA: GOLFE E RUGBY

Por Felipe Lucena

As Olimpíadas do Rio de Janeiro, entre outros aspectos, serão marcadas pelo retorno de dois esportes ao quadro de competições: Golfe e Rugby. Esse regresso pode estar construindo uma era de maior popularidade para essas modalidades esportivas.

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Mais de um século separa o Golfe de uma edição de Jogos Olímpicos. O esporte foi retirado da competição em 1904. O Rugby fez parte de uma Olimpíada pela última vez em Paris, no ano 1924. As modalidades foram excluídas da condição de olímpicas por serem, na época, esportes pouco populares. Agora, elas voltaram ao circuito com moral.

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Na votação realizada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), no dia 9 de outubro de 2009, a fim de definir se os esportes voltariam aos Jogos, o Golfe obteve 63 votos a favor, 27 contra e duas abstenções. Como precisava da maioria simples, a modalidade esportiva teve seu regresso assegurado. O Rugby, que na Rio-2016 será jogado em uma versão com sete jogadores, voltou ao cenário com uma reação ainda mais simbólica: 81 votos a favor e oito contra, além de apenas uma abstenção.

O Golfe no Rio 2016

De acordo com Paulo Cezar Pacheco, presidente da Confederação Brasileira de Golfe (CBG), a presença do Golfe nos Jogos Olímpicos do Rio é fundamental para que o esporte se fortaleça no Brasil – o que ele garante que já vem acontecendo:

“A volta do Golfe aos Jogos Olímpicos é um marco no esporte e o fato de isso acontecer justamente no Rio de Janeiro é um grande presente que o Golfe brasileiro recebeu. Teremos como grande legado o Campo Olímpico, primeiro campo público brasileiro de grandeza internacional, que poderá abrir as portas para outros eventos de grande importância mundial. Com parcerias com o COB (Comitê Olímpico Brasileiro), via lei Agnelo/Piva e do Ministério do Esporte, estruturamos de forma muito profissional o alto rendimento e a base do Golfe nacional nos últimos anos, nos preparando para a Rio-2016 e para Tóquio-2020. Criamos também projetos como o “Golfe para a Vida” que já capacitou mais de 260 professores de educação física para ensinar os fundamentos da modalidade a mais de 50 mil crianças em várias cidades brasileiras, dentro das suas escolas” diz Paulo Cesar.

Após algumas polêmicas – como a questão da preservarão ambiental e uma investigação sobre ganhos ilícitos da prefeitura com a obra – o campo de Golfe Olímpico ficou pronto e já foi testado por alguns atletas.

A importância histórica da volta do Golfe aos Jogos Olímpicos é indiscutível. Dentro dessa esfera maior que é o esporte como um todo, estão os atletas, que sabem do peso desse acontecimento. Lucas Lee, golfista brasileiro com chances reais de disputar a Rio-2016 através do ranking mundial.

“Esse retorno está dando uma visibilidade sem precedentes para o esporte. Na minha última passagem pelo Brasil, por exemplo, fui entrevistado pelo Globo Esporte e pelo Jornal da Globo, algo impensável alguns anos atrás. Imagino que a cobertura que a mídia dará ao Golfe durante os Jogos Olímpicos atrairá muito a atenção dos brasileiros, já que os melhores golfistas do mundo estarão no Rio de Janeiro” conta Lucas.

O Rugby no Rio 2016

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O Rugby nos Jogos do Rio será disputado no Estádio de Deodoro, que ficará no complexo esportivo que está sendo erguido no bairro da zona oeste da cidade.

A opinião de Fernando Portugal, jogador da seleção masculina de Rugby Sevens, assemelha-se a de Lucas Lee. Fernando comenta a grande missão dos brasileiros: “Estamos vivendo um momento mágico do Rugby e do esporte brasileiro. Disputar os Jogos Olímpicos é o maior sonho de qualquer atleta. Temos uma responsabilidade enorme jogando em casa, contra os melhores do mundo” conta o jogador.

Títulos, conquistas e visibilidade internacional também ajudam e muito a popularizar uma modalidade esportiva.

As Tupis, como são chamadas as meninas da Seleção Brasileira Feminina de Rugby Sevens, ganharam uma medalha de bronze inédita nos Jogos Pan-americanos de 2015. De quebra, garantiram uma vaga nas Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro.

Tupis

“Fomos para Toronto com o objetivo de conquistar uma medalha e alcançamos nossa meta com esse bronze – a vaga olímpica. Foi um torneio muito duro, diante de adversárias fortes. Foi também a estreia do Rugby feminino no Pan, então colocamos nosso nome na história da competição com a conquista e isso ajuda muito o esporte”, afirmou Paulinha Ishibashi, capitã da equipe.

Brasil vem realizando ações para popularizar o golfe

Historicamente, Golfe e Rugby não são esportes praticados nas camadas economicamente mais carentes das populações dos países pelo mundo. Entretanto, no Brasil, algumas ações vêm sendo realizadas para sermos mais uma exceção à regra.

Em 2005, foi criado, através da Associação Golfe Público de Japeri, o primeiro campo público do Brasil, que foi construído a partir de patrocínios e doações: O Japeri Golfe Clube tem nove buracos, possui ainda um Driving Range (área de prática) e a Associação disponibiliza aluguel de equipamentos. O espaço também é sede de uma escolinha de Golfe, que atende a mais de 100 crianças com idades entre sete e 17 anos, moradoras de

No campo já brotaram muitos talentos do esporte. Um deles é Cristian Barcelos, segundo colocado no ranking estadual adulto, na categoria masculina scratch. Uma das promessas do esporte nacional. Cristian, que hoje tem vinte anos, quando ainda era um adolescente oriundo de um dos munícipios mais pobres do estado do Rio de Janeiro (Japeri), foi premiado com uma semana de treinamento na David Leadbetter Golf Academy, uma das melhores clínicas de Golfe do mundo, que fica no estado norte-americano da Flórida. Por lá, o garoto passou por treinamentos e palestras sobre preparo psicológico durante partidas e competições. Ele lembra o acontecido: “Foi uma das viagens mais legais da minha vida. Além de melhorar no Golfe, aprendi muitas outras coisas” recordou o garoto.

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Rugby na areia pela democratização do esporte

Outro grão nessa imensidão que visa à democratização dos dois esportes no Brasil é a disputa dos campeonatos de Rugby na areia. Nada mais agregador que as praias do Rio de Janeiro. E é na orla carioca que são realizadas as partidas do Campeonato Fluminense, que tem séries A e B, além de competições também no feminino.

Os admiradores desse esporte terão um “ponto fixo” para assistir e praticar Rugby no Rio de Janeiro. No dia 24/6/2015, a Confederação Brasileira de Rugby (CBRu) e a World Rugby (Federação Internacional) inauguram o primeiro campo de Rugby fixo em uma praia do Brasil. A estrutura com as duas traves em formato de “H”, tradicional da modalidade, ficam na praia de Copacabana, entre o número 1.130 da Av. Atlântica e a Avenida Princesa Isabel.

“Com o campo de Rugby em Copacabana queremos disseminar e popularizar a modalidade na cidade-sede dos Jogos Olímpicos. Ter um campo na praia ajudará a que as pessoas fiquem mais próximas ao Rugby no seu dia a dia e possam facilmente começar a se animar a praticá-lo. Sabemos que nos jogos o torneio de Rugby irá atrair muitos torcedores brasileiros e estrangeiros. Com o campo na praia mais famosa do país, vamos também buscar o engajamento desse público” afirma Agustin Danza, CEO da CBRu.

“Nunca o Golfe foi tão conhecido pelo brasileiro. Hoje ele é um esporte possível de ser praticado por toda a sociedade” garantiu Paulo Cezar Pacheco, presidente da Confederação Brasileira de Golfe.

Que assim seja. Que as opiniões de Agustin Danza e de Paulo Cezar sejam cada vez mais repetidas por aí. Esse é um jogo que todos ganham.


SAMBA-EXALTAÇÃO

História dessa modalidade de samba tão presente no carnaval carioca

Por Felipe Lucena 

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Há quem defenda que o momento mais emocionante de um desfile de uma escola de samba é o “esquenta”. Opiniões e exageros à parte é nessa hora que normalmente os sambas exaltação das agremiações são entoados e de fato é ali que a comunidade mostra sua força antes de pisar definitivamente na avenida.

Quando, no final dos anos 1920, as escolas de samba se organizaram como agremiações, o sentimento de rivalidade e paixão que já existia nas disputas anteriores de blocos, ranchos e cordões se avolumou. Com isso, letras que exaltavam o amor às escolas de samba passaram a fazer um sentido maior para as pessoas que estavam envolvidas nesses ambientes. Essa ideia se esticou pelas décadas e se mantém firme até hoje em dia. É comum notar nas quadras e barracões, torcedores das agremiações do Carnaval cantando seus hinos (os sambas de exaltação) como se estivessem em um estádio de futebol assistindo a uma final diante do maior rival.

A nomenclatura “samba-exaltação” surgiu em 1939. No entanto, a ideia de sambas que faziam menções honrosas a algo já existia desde o início da década de 1930, quando Getúlio Vargas se tornou presidente da República. Nesse período, os compositores passaram a escrever letras que exaltavam o Brasil e o governo. Também em 1939, Vargas criou o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). Até então, o samba era voltado à malandragem. A partir daí, o governo investiu no uso da música como veículo de sua ideologia, principalmente de entusiasmo ao trabalho, chegando a distribuir verba para as
escolas de samba para que abordassem temas de cunho patriótico em seus desfiles. Um dos maiores representantes desse gênero foi o compositor Ary Barroso, que fez, em 1939, “Aquarela do Brasil”, considerado o primeiro samba-exaltação da história. Ary chegou a ser acusado de ter aceitado uma encomenda de Getúlio Vargas, devido a grande coincidência do conteúdo da música com o contexto vivido no momento. Barroso, que em meados dos anos 1940 chegou a ser eleito vereador do Rio de Janeiro pela UDN (União Democrática Nacional), que na época era oposição ao PTB de Vargas, se defendia dessa argumentação alegando que foi pura coincidência, que não escreveu nada a mando de ninguém.

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De todos os sambas e marchinhas ufanistas, uma canção se destacou. A escola de samba Deixa Falar, conhecida como a primeira do Brasil, desfilou em 1932 – ano que marcou o início do Carnaval com disputa de título entre as agremiações – com o enredo “A Primavera e a Revolução de Outubro”, uma clara homenagem a chegada de Vargas ao poder dois anos antes. Do samba que exaltava o país para o samba que exalta as escolas foi um caminho reto. O historiador Claudio Russo, um dos pesquisadores da Comissão de Carnaval da Beija-Flor, diz como se deu esse processo: “Precisar exatamente a época e qual escola de samba começou é uma tarefa um tanto quanto difícil, mas podemos dizer que por muito tempo o samba-exaltação foi uma prática extremamente utilizada pelos compositores das escolas. Temos para posteridade grandes sambas como as composições de Candeia, Chico Santana e Paulinho da Viola,
na Portela; Silas de Oliveira e Mano Décio, na Império Serrano, que nos deixaram tantas obras magnificas. Na Academia do Salgueiro, Geraldo Babão e Djalma cantarolavam seus sambas com a beleza de um Sabiá – desculpe o trocadilho. Na Estação Primeira, Cartola afirmava: ‘Muito velho, pobre velho vem subindo a ladeira com bengala na mão é o velho, velho Estácio. Vem visitar a Mangueira’… Isto nas quatro grandes escolas do passado. Se for me estender um pouco mais, em verde e branco ecoa a Rainha de Ramos, a Mocidade! Mas tenho certeza que a Beija-Flor está muito bem representada com ‘A Deusa da Passarela’, do Neguinho”.

Claudio ainda pontua que é preciso que haja uma mobilização para que diversos subgêneros do samba não se tornem apenas uma saudosa lembrança. “Acredito que a escola de samba deve ter muito mais que apenas o concurso de samba-enredo. Poderíamos semear este solo tão fértil de valores e talentos com festivais de sambas de quadra, de terreiro e principalmente sambas de exaltação nas tardes de sábado ou domingo, para que assim possamos fortificar e preservar as raízes do samba, o amor ao pavilhão e a história para as novas gerações”, disse o historiador.

Monarco, um dos maiores nomes da história do samba e do carnaval, afirma com veemência a importância que o samba-exaltação tem para uma escola: “É mais importante que o samba-enredo. É um samba que sai do coração. O samba enredo é encomendando, vem de fora. O samba-exaltação vem de dentro. Óbvio que os dois são importantes, o de enredo e o de exaltação. Mas o de exaltação tem esse algo a mais, essa coisa de reforçar o amor à escola de samba. O samba-exaltação é uma coisa que não deve morrer” conta ele, que está na ala dos compositores da Portela desde 1950.

Outro baluarte do carnaval, Nelson Sargento, depois de frisar que os sambas exaltação são extremamente necessários para a manutenção da alma da festa, apontou seus prediletos: “Gosto dos que o Silas de Oliveira fez para a Império. Os do Salgueiro são ótimos. A Beija-Flor tem uns muito bonitos também”.

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O samba-exaltação é o refrão que levanta o bloco. Anizio Abrão David, presidente de honra da Beija-Flor, uma agremiação oriunda de uma comunidade que praticamente respira carnaval, sabe bem do peso dessas composições: “A gente nota que quando esses sambas são tocados, vez, ele, que faleceu anos atrás, declarou que lamentava o fato de os sambas exaltação não terem mais tanta força quanto já tiveram em outros carnavais e apontou suas letras favoritas desse estilo: “A Deusa da Passarela”, de Neguinho da Beija-Flor e “Eu sou de Nilópolis”, escrita por Osório Lima, um aclamado compositor.

Quando se fala em samba-exaltação e em Beija-Flor, inevitavelmente se pensa em Neguinho e “A Deusa da Passarela”. O interprete e compositor da Azul e Branco de Nilópolis lembra como foi fazer essa canção: “Eu estava esperando uma ligação na casa da dona Iolanda, onde o Joãozinho Trinta também morava. Era um domingo, em 1979. Aí o Joãozinho me perguntou o que eu achava de ele fazer um concurso para que criassem sambas que exaltassem a Beija-Flor. Eu elogiei a ideia. Logo em seguida, ele saiu, foi na rua resolver algum assunto rápido. E isso ficou na minha cabeça. Na mesma hora escrevi a letra de ‘A Deusa da Passarela’. Quando ele voltou, mostrei para ele. Ele ficou emocionado demais e muito surpreso por eu ter feito a letra tão depressa. Então, ele me disse que não precisava mais de concurso nenhum, que o que ele queria era exatamente o que eu havia acabado de escrever”.

O assessor jurídico da Liesa, Ubiratan Guedes, também é um entusiasta dessa modalidade de samba. Ele reforça a atmosfera que cerca essas composições: “O samba-exaltação é aquilo que para a escola é o equivalente ao hino do time de futebol. É um hino que funciona como um chamado geral, que desperta a emoção da comunidade, que busca no interior de cada componente a força para se fazer um grande carnaval, ultrapassando, muitas vezes, limitações da agremiação. O ‘esquenta’, que realmente esquenta a emoção das pessoas, é fundamental. Se eu pudesse escolher entre um samba de anos anteriores ou um samba de exaltação, eu sempre escolheria o samba-exaltação, de esquenta, porque esse mexe com a sensibilidade mesmo. Todo mundo canta, todo mundo participa e a comunidade se inspira, fica mais energizada para desfilar” enfatiza o advogado.


RIO DE JANEIRO: CIDADE CARNAVAL

Por Felipe Lucena

Rio de Janeiro e carnaval se confundem e se completam. A relação da Cidade Maravilhosa com esta festa popular vai muito além do que se imagina. Os dias de folia não estão só atrelados ao turismo, mas também a economia, ao urbanismo, a estrutura social, e até a história da cidade que já foi capital do Brasil. Nesses 450 anos do Rio, o parabéns deveria ser cantado em ritmo de samba-enredo. Ou em marchinha.

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Crédito foto: Google

O carnaval é uma data que norteia o presente e o futuro dos cariocas. É comum se pensar viagens e outros planos para depois da festa popular. “Quando o carnaval acabar começo a dieta e arrumo uma namorada”. No entanto, pouco se fala sobre a constante presença dessa festa no passado em alguns dos fatos históricos mais marcantes da Cidade Maravilhosa.

No ano de 1840, a alta sociedade carioca começou a realizar bailes de carnaval no Rio de Janeiro. Inspirados nas festas que aconteciam na Europa, os encontros eram regados a muita bebida, comida e ritmos tipicamente europeus, como a valsa e a quadrilha. Enquanto isso, nas ruas da cidade, milhares de foliões brincavam o entrudo – festa portuguesa em que pessoas fantasiadas dançam e jogam limões de cheiro, farinha ou água uns nos outros. Nesse período, a família real estava no Rio há 32 anos e a desigualdade social, a escravidão e outras mazelas ainda eram extremamente presentes na cidade. O carnaval começava a tentar reverter essa opressora realidade, pois muitos nobres iam para a rua festejar com o povo.

Os primeiros registros de blocos carnavalescos licenciados pela polícia no Rio de Janeiro datam o ano de 1889. Os blocos eram: Grupo Carnavalesco São Cristóvão, Bumba meu Boi, Estrela da Mocidade, Corações de Ouro, Recreio dos Inocentes, Um Grupo de Máscaras, Novo Clube Terpsícoro, Guarani, Piratas do Amor, Bondengó, Zé Pereira, Lanceiros, Guaranis da Cidade Nova, Prazer da Providência, Teimosos do Catete, Prazer do Livramento, Filhos de Satã e Crianças de Família. Isso se deu um ano após a abolição da escravatura. Muitos historiadores apontam os blocos de rua como um sinal de liberdade. Nesse caso, tudo foi bastante simbólico, porque os negros recém-libertos foram às ruas para festejar com as pessoas que compunham esses eventos pela cidade do Rio de Janeiro.

“É necessário lembrar que o carnaval, para uma parte dos cariocas, sempre teve a dimensão de ser um tempo de subversão da cidadania roubada. Inventamos na rua a cidade negada nos gabinetes poderosos, sobretudo no contexto de transição entre o trabalho escravo e o trabalho livre, nos últimos anos da monarquia e nos primeiros da república, quando a festa ganhou contornos populares mais contundentes e uma parte significativa dela passou a ser um canal de expressão de descendentes de escravos. A partir daí a festa confunde-se com a própria história da cidade, como é até os dias atuais. Entrudos, corsos, batalhas de confetes e flores, blocos de arenga, rodas de pernada, ranchos, cordões, grandes sociedades, bailes de mascarados, escolas de samba, onças do Catumbi e caciques de Ramos, simpatias e suvacos balzaquianos, bate-bolas suburbanos e centenárias bolas pretas, dão pistas para se entender como as tensões sociais – disfarçadas ou exacerbadas em festas – bordam as histórias desse terreiro de São Sebastião/Oxossi” pontua o historiador Luiz Antonio Simas, que atualmente é consultor da área de carnaval do Museu da Imagem e do Som (MIS) do Rio de Janeiro.

No final dos anos 1920 e no começo da década de 1930, as escolas de samba começaram a se organizar como agremiações, deixando para trás o passado, quando se pareciam mais com os blocos de carnaval de hoje em dia. Esse período coincidiu com a chegada de Getúlio Vargas ao poder. Getúlio, já estabelecido no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, – antiga sede do governo federal – buscou na Itália de Benito Mussolini a inspiração para a nossa festa. Nessa época, a folia italiana era mais organizada, com pessoas marchando em linha reta, instrumentos que faziam parte da cultura nacional, músicas que edificavam o país e notas de zero a dez no final das apresentações. Vargas, que buscava uma imagem mais próxima da cultura popular, abraçou a ideia do italiano e tudo isso ganhou uma pitada de Brasil. Em 1935, o governo brasileiro passou ajudar financeiramente para que as escolas tivessem mais recursos na hora de desfilar. Dois anos depois, foi instituído que os sambas-enredos deveriam homenagear a história do país. Com algumas mudanças, muitos dos elementos incorporados ao carnaval na Era Vargas estão presentes atualmente: “O Estado varguista buscava disciplinar as manifestações das camadas populares, com o objetivo de controlá-las. Os negros, por sua vez, buscavam trilhar caminhos de aceitação social. As escolas de samba surgiram como resultados dessa realidade, em que o interesse regulador do Estado vai ao encontro do desejo de aceitação das camadas populares. Dessa tensão e dessas intenções as escolas de samba se cristalizam como agremiações típicas do carnaval carioca” informa, Luiz Antonio.

Além da história da cidade, o carnaval está embrenhado na vida das pessoas que residem no Rio de Janeiro. No ponto de vista antropológico é possível dizer que o carnaval ajuda a formar a personalidade coletiva do povo carioca. Há quem defenda que quem nasce no Rio de Janeiro é mesmo uma festa democrática e solidária, mas embalada por tristes contradições.

“O carnaval é uma festa nacional que contribui muito para a formação do carioca, do brasileiro. É uma festa importantíssima para o processo de crescimento desse povo. O povo brasileiro e o carnaval seguem crescendo juntos” diz o antropólogo Roberto da Matta, que frisa que esse assunto renderia um livro.

Um dos pontos dessa roupagem que a festa popular proporciona ao povo carioca é a questão dos conflitos socioeconômicos. Durante os dias de folia, enquanto os blocos e escolas de samba passam, as pessoas de todas as classes sociais se misturam. “O carnaval é a festa das classes economicamente menos favorecidas, para usar esse termo que não é bom. Ele tem uma moldura francesa, vinda dos bailes de máscaras, mas no Brasil é uma festa popular. Do povo mesmo. Um senhor, nos anos 1970, acho que na Mangueira, quando eu estava colhendo um material de pesquisa sobre o carnaval, me disse: ‘O carnaval é uma festa que ajuda a nos tirar da tristeza. Que nos dá alegria depois de um ano de sofrimento’.  O carnaval é uma transformação. Uma inversão. As celebridades, que as pessoas assistem o ano todo, ficam nos camarotes assistindo essas pessoas desfilarem. O carnaval é de todo mundo, todos participam. Por isso essa paixão” comenta Roberto, que emenda em seguida:

“O carnaval continua sendo um enigma: um grupo de pessoas que sofre ano inteiro, por uma série de motivos, realizar uma festa tão grandiosa é algo fantástico.  Supõem que o povo brasileiro é desorganizado, mas durante o carnaval conseguimos fazer uma festa extremamente organizada, capaz de encantar o mundo tudo.  Encantar, inclusive, pessoas de países que funcionam melhor que o nosso.”

Mexe na história, mexe na vida dos cariocas e mexe na paisagem da Cidade Maravilhosa. O carnaval não para. De acordo com o estudo “Rio de Janeiro, 1850-1930: A Cidade e seu Carnaval”, do pesquisador Luiz Felipe Ferreira, o Rio sofreu profundas alterações físicas catapultadas pelo carnaval. E vice e versa:

 “As modificações sofridas pelo carnaval carioca durante a segunda metade do século XIX e início do século XX estão estreitamente relacionadas com as transformações urbanas pelas quais passou o centro da cidade no período. De 1850 a 1930, o Rio de Janeiro deixa de ser uma acanhada cidade de feições coloniais para refletir, em seu espaço urbano, sua condição de capital de um país integrado à economia capitalista global. Refletindo esta nova realidade, o carnaval carioca irá buscar, nos modelos parisienses, uma expressão que reflita os ideais burgueses de refinamento e integração com o mundo. Mas as novas ruas e praças do Rio de Janeiro, feitas para o flanar burguês, irão acolher, e mesmo impulsionar, um novo carnaval, de cunho popular, que se impõe. Os bailes, as mascaradas e os desfiles de alegorias da burguesia irão, no período carnavalesco, dividir as ruas do centro carioca com os cordões, os blocos, os cucumbis e os ranchos de acento eminentemente popular. Esta verdadeira batalha pelo domínio das ruas da região central do Rio de Janeiro e as mútuas influências sofridas por estes diferentes “carnavais” irão propiciar o surgimento de uma forma nova e singular de carnaval que, em alguns anos, definiu internacionalmente não somente a cidade do Rio de Janeiro, mas também todo o país.”

Provavelmente, se essa relação entre as ruas do Rio de Janeiro e o carnaval não fosse tão intensa, hoje em dia, ao andar pelo Centro da cidade, caminharíamos por um lugar com uma paisagem urbana bem diferente da atual.

carnaval

Crédito foto: Google

Economicamente o carnaval do Rio de Janeiro é um sucesso. Dentro e fora da Sapucaí. Segundo dados do estudo “A Economia Criativa do Carnaval”, de Luiz Carlos Prestes Filho, no ano de 2000, a festa gerou receita de R$ 416,1 milhões, atraindo uma média de 310 mil turistas. No ano de 2006, com a mesma média de 310 mil turistas, o carnaval movimentou R$ 665 milhões. Em 2012, o carnaval atraiu para o Rio de Janeiro 850 mil turistas, gerando o movimento de R$ 1.100 bilhão. Os números só aumentam. No Sambódromo, a arrecadação de bilheteria regularmente atinge R$ 63 milhões em apenas dois dias, com a venda de 70 mil ingressos para o desfile das escolas de samba do grupo especial. Nesta última década os dias de folia geraram todos os anos 264,5 mil postos de trabalho, para a execução de 470,3 mil tarefas. No ano de 2014, a Associação Brasileira dos Shoppings previu a contratação de 260 mil trabalhadores temporários para o Natal. O carnaval gera mais empregos que o Natal. Considerando que o desemprego é um temor para qualquer sistema econômico, o carnaval ganha ainda mais importância no real cenário carioca.

Um desses empregos que ganham destaque durante o carnaval é o de bordadeira. Uma profissão que em uma parte do ano passa despercebida ganha holofotes quando a festa popular se aproxima. As bordadeiras de Barra Mansa, sul do estado do Rio de Janeiro, sabem bem disso. O grupo de mais ou menos 40 pessoas recebe um número acima da média de trabalho encomendado pelas escolas de samba do Rio. Esses pedidos começam a chegar a partir de agosto, ou seja, mais de seis meses antes da folia começar.

Em média, essas pessoas ganham cerca de um salário mínimo por mês para bordar fantasias e bandeiras das escolas. Parece pouco, mas para muitos deles é a única renda certa no ano, já que como bordadores e bordadeiras dependem das cada vez mais escassas encomendas.  Eduardo Marques, de 23 anos, que é secretário da prefeitura de Barra Mansa e bordador de carnaval há dez anos, tem nesse trabalho uma possibilidade de ganhar “um extra”. Dinheiro que usa para pagar o curso de direito que está fazendo.

“Uma intermediara entra em contato com as escolas, depois ela passa o trabalho para nós. Nós recebemos pela nossa mão de obra. Eu tenho emprego fixo na prefeitura, para mim é um extra, mas que me ajuda bastante com meus estudos. Para muitas pessoas que fazem esse trabalho, muitas vezes, é o único dinheiro que recebem. Muita gente precisa mesmo disso, porque não é mais tão comum contratarem bordadeira ou bordador. O trabalho para o carnaval aumenta sempre. A cada ano tem mais coisa para fazer. Esse ano estamos fazendo bordados em geral para Mangueira, Viradouro, Imperatriz e União da Ilha. Já fizemos para a Beija-Flor em outras épocas, também” diz Eduardo que aprendeu a bordar com a irmã mais velha e a tia, quando ele ainda era um adolescente.

O trabalho das bordadeiras de Barra Mansa existe há mais de 30 anos e já foi citado em diversos estudos que falam sobre carnaval. O mais marcante deles foi o livro “Artesãos da Sapucaí”, de Carlos Feijó e André Nazareth. A obra também retrata o trabalho de diretores de carnaval, pesquisadores, carpinteiros, aramistas, bordadeiras, peruqueiras, chapeleiros, iluminadores e coreógrafos, divididos em categorias de base, construção, ornamento e finalização.

Carlos Lessa, ex-presidente do BNDS (Banco Nacional do Desenvolvimento Social) ressalta a força econômica do carnaval, mas faz uma ressalva quanto à elitização da festa: “Há anúncios na Alemanha para vender lugar nas alas do carnaval carioca. Isso modificou a festa, pois aumentou as cores e diminui o balanço. Muita gente que pode pagar não sabe dançar. Para suprir isso, as fantasias estão cada vez mais enfeitadas e coloridas. As bordadeiras de Barra Mansa, que fazem um grande trabalho, ganham com isso. Entretendo, o povão, de modo geral, está ficando de fora das grandes escolas de samba. Com isso, eles vão migrando para escolas menores ou para os blocos de rua. Os desfiles das grandes escolas geram mais dinheiro que os blocos. Mas os blocos colocaram de volta o povo na festa. No ponto de vista econômico, os blocos de rua não são tão fortes. Nem tão organizados. Eles são interessantes por esse motivo de colocar as populações mais carentes na festa outra vez. A Beija-Flor faz com que Nilópolis, um município carente, que vive a atmosfera de uma grande escola, mas isso não é mais tão comum nas grandes agremiações. No entanto, no sentindo econômico, as escolas grandes ainda são importantes para o povo, principalmente devido à geração de empregos. O Bola Preta pode fazer o mesmo pela cidade do Rio de Janeiro, mas ainda não faz” diz o economista, que fundou um bloco carnavalesco, o “Minerva Assanhada”.

Uma grande escola de carnaval, no auge dos trabalhos, emprega cerca de 300 pessoas. A economia gira quando uma escola de samba compra materiais para construir um carro alegórico. Um turista que deixa sua cidade, ou país, e se hospeda em um hotel para acompanhar os desfiles ou participar dos blocos, também participa do processo desse giro econômico. Quando um vendedor ambulante reforça seu estoque para suportar a elevação na demanda, quando grandes empresas montam camarotes na avenida para receber seus convidados e quando outros setores da sociedade se envolvem nos quatro dias de folia nota-se a cadeia produtiva do carnaval, que alavanca esse verdadeiro fenômeno econômico. Apesar de haver alguma discordância, para muitos analistas essa é a data comemorativa mais lucrativa do Brasil, superando – além do Natal – a Páscoa, o Dia das Mães, dos Pais, das Crianças e o Réveillon.

Como era de se esperar, no período de folia, a demanda por serviços de turismo cresce vertiginosamente. De acordo com o Ministério do Turismo, o carnaval 2013 (um dos anos mais marcantes nesse quesito) gerou 6,2 milhões de viagens dentro do país, alcançando uma movimentação financeira de R$ 5,7 bilhões, algo em torno de 2,5% a 3% do faturamento previsto para o setor naquele ano. Só o Rio de Janeiro recebeu 900 mil turistas entre brasileiros e estrangeiros.

Um levantamento feito pela Riotur em parceria com a secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado aponta que em 2014, o carnaval movimentou cerca de R$ 2,270 bilhões, dos quais aproximadamente R$ 1,790 bilhão foram provenientes do turismo. O restante foi oriundo dos investimentos das escolas de samba, eventos paralelos, decoração e organização de blocos de rua. Em 2014 foram 920 mil turistas no Rio de Janeiro. A expectativa para 2015 é de que todos esses números subam ainda mais.

Embora o sucesso turístico do carnaval seja evidente, o Ministério do Turismo tem planos ainda mais ambiciosos. Em 2013 foi realizada em Brasília uma reunião, na qual estavam presentes membros da Assembleia Legislativa, Liga Independente das Escolas de Samba e da Associação Independente dos Blocos de Carnaval de Rua da Zona Sul do Rio de Janeiro, para discutir formas de fazer com que o Carnaval se torne um produto turístico capaz de encantar turistas e gerar emprego e renda durante todo o ano para as comunidades envolvidas com a festa.

Uma das propostas discutidas nesse encontro foi a possibilidade da criação de uma escola de carnaval voltada para a preservação cultural e a formação e qualificação de mão-de-obra em profissões relacionadas à festa, como guias de turismo, por exemplo.

“Rio de Janeiro sem carnaval é aniversário sem parabéns: pode até acontecer, mas não seria tão bom” afirma Douglas Vieira, folião que costuma desfilar em diversas escolas de samba do grupo especial e da série A.


EDITORA DO ‘FAÇA VOCÊ MESMO’

Antonio Hercules comanda a Perse (Crédito da foto: internet)

Antonio Hercules comanda a Perse (Crédito da foto: internet)

Por Felipe Lucena

Sabem a ideia de que você,  antes de morrer, precisa plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro? A Perse, uma editora paulista, facilitou essa missão. Na inovadora filosofia da marca, encabeçada por Antonio Hercules Junior, de 52 anos, o autor é quem faz sozinho a publicação do próprio livro. Basta o escritor postar um miolo revisado e diagramado no site (http://www.perse.com.br ), após um simples cadastro, e o trabalho já fica à venda na internet.

Antonio Hercules, que verá sua editora participar pela primeira vez na Bienal do Rio de Janeiro ( no Rio Centro, em agosto e setembro deste ano), contou que a ideia da Perse nasceu após uma analise em relação ao mercado literário nacional e internacional.

– Observamos a movimentação que estava acontecendo fora do Brasil com as varias plataformas OnLine de publicação (como LuLu, Blurb, Bubok) e também no Brasil com o surgimento de gráficas que começaram a operar com impressão digital e produção sob demanda a partir de um exemplar – disse.

Em entrevista ao OCULTO, Antonio, experiente no ramo editorial, com mais de 20 anos de carreira só no grupo Estado, em São Paulo,  falou sobre o futuro do livro impresso, novas editoras e a situação financeira de quem vive de literatura no Brasil.

Você comanda a editora sozinho ou têm mais pessoas na equipe?  O comando da PerSe é meu, mas temos uma excelente equipe de Funcionários e terceiros que trabalham conosco e dividem esse comando e operação comigo.

Sempre trabalhou no ramo literário?  No ramo literário não, mas no ramo editorial sim, pois trabalhei por 22 anos no Grupo Estado passando por várias áreas (Financeiro, Gráfica Comercial, Gráfica dos Jornais, Circulação dos Jornais, Promoções para os Jornais e Audiências e Marketing de todas as unidades de Negocio do Grupo) e quando saí do Grupo era Responsável pela Circulação dos Jornais e Audiências dos Portais e também pelo Marketing de todas as Unidades de Negocio do Grupo. Em determinado momento dessa minha história, fui o responsável pelas promoções de agregados dos jornais, onde chagamos a ter três/quatro promoções (na maioria das vezes de produtos editoriais) simultâneas em cada um dos dois jornais do Grupo (Estadão e JT).

Vive só da editora ou tem outras atividades?  Há um ano e meio trabalho, exclusivamente na PerSe.

Dá para ganhar dinheiro com literatura no Brasil? Ainda estamos na fase de investimentos na PerSe, é verdade bem próximos do Ponto de Equilíbrio que prevemos alcançar no final deste ano, mas acredito que esse negócio tem sim potencial de gerar resultados positivos. Em nossa visão, esse é o futuro do mercado editorial, a venda de Livros Impressos sob demanda e eBooks por seus próprios autores, acabando com as intermediações. Esse foi o grande benefício que a internet trouxe que foi a possibilidade de contato direto entre o Produtor do Conteúdo e o Consumidor sem intermediários, como aconteceu com o mercado fonográfico. Obviamente que os Players do mercado editorial analisaram o que houve com o mercado fonográfico e estão tentando não cometer os mesmos erros, mas a minha experiencia no mercado de jornais (especialmente no mercado de classificados) onde os jornais não conseguiram defender suas posições no segmento de classificados pois sempre atuaram no mercado de Classificados OnLine de forma defensiva procurando defender seus negócios do Classificado Papel e aí surgiram os Pure Players de Classificados online (Web Motors, Imovel Web, Catho, etc.) e hoje dominam esse seguimento e os jornais perdem cada dia mais espaço. E não tenho duvida de que ainda está acontecendo com o mercado literário e se não mudar, os futuros lideres desse segmento serão empresas Web Puras; digo isso, porque não é sustentável se vender um eBook por um preço 70% do livro impresso, isso não é justificável do ponto de vista econômico (uma vez que o eBook não tem custo variável de produção, somente custos fixos que o livro impresso também tem). Assim, como justificar que um eBook que não tem papel e gráfica envolvidos possa custar 70% do preço de um livro impresso? E sem falar que o Autor, que é o elo mais importante dessa cadeia ainda é o que menos ganha em toda a cadeia. No nosso modelo de negócio o autor define o quanto receberá na venda do livro impresso e na venda do eBook ele Autor define o preço de venda e fica com quase 70% da receita da venda.

Considerando que ainda há um pessoal que acredita e defende que livro deve ser de papel, vocês já sofreram algum tipo de represália por serem uma editora que também trabalha com ebooks? Represália não …. mesmo porque ainda somos muito pequenos. O que vemos sim, é um olhar de curiosidade e de não crença de que esse negócio um dia pode dar certo. Acho que as palavras que definem melhor a relação é Curiosidade (de algumas) e Indiferença (da Maioria).

Como é a relação de vocês com outras editoras digitais? O negocio do Livro Digital ainda é muito pequeno no Brasil, assim, tem muito espaço de crescimento em função disso. A relação é uma relação saudável, pois todos estão tentando ocupar os espaços vagos. Acredito que mais para frente, quando esses espaços estiverem bem mais ocupados, a concorrência ficará mais acirrada.

O livro de papel vai acabar? Sinceramente, não acredito que vá acabar. Acredito sim, que ele será reduzido e bem menor que o do Ebook, mas continuará existindo para públicos específicos, e nesse sentido a produção sob demanda passa a fazer todo o sentido e cada vez menos a produção em grande escala. Por outro lado, para que isso aconteça, o crescimento da base instalada de Book Readers (equipamentos para leituras de eBook) tem que crescer muito ainda no Brasil. Hoje no Brasil, a maior parte desses equipamentos são Tablets, que foram comprados pelas pessoas para uma destinação bem diferente da de Ler Livros/Publicações, foram comprados para basicamente substituir os Laptops e assim são utilizados para acessar internet, redes sociais, jogos e etc e em ultimo plano ler publicações. Quando as pessoas começarem a fazer conta e perceberem que a relação custos beneficio do produtos digitais bacana, aí esse mercado explode mas para isso um eBook não pode custar 70% do livro impresso…

Vocês não temem abrir espaço para qualquer pessoa escrever e alguém fazer um livro muito ruim e com isso associarem de forma negativa ao trabalho da editora? Então …. nós não nos vemos como uma editora tradicional que dá seu aval ao livro quando coloca seu nome naquele livro e por isso mesmo, quase não publicam autores nacionais (somente os consagrados) pois investir em um autor desconhecido e torná-lo conhecido custa muito caro além de ser muito arriscado, pois depois que ele for famoso passará a sofrer assedio das outras editoras e manter esse autor ficará cada vez mais caro. Assim, financeiramente é muito mais negócio comprar os direitos autorais de um Autor de fora, que tenha feito sucesso relativo em seu pais e lançar esse livro aqui dizendo “esse autor fez sucesso em seu pais de origem, por isso ele e bom”. Concorda que isso é muito mais barato e muito menos arriscado para as editoras tradicionais? Diante desse quadro, qual a saída para os novos autores nacionais? Partirem para a Autopublicação tradicional onde as “Editoras” que na verdade são gráficas lhes cobram a partir de R$3.000,00 ou mais e lhes disponibilizam uma quantidade grande de livros que eles depois terão de vender sozinhos ou utilizar a nossa plataforma, onde ele tem que estar com o livro pronto (é verdade, e pronto no sentido de revisado e diagramado) e poderá publicar em nossa plataforma sem nenhum custo, sair divulgando e quando alguém comprar o livro nós produziremos sob demanda e entregaremos ao comprador e pagaremos os Rayalties ao Autor. Assim, o Autor não tem nenhum custo e recebe os Royalties que ele mesmo define o valor.  Como você vê essa facilidade de publicação é muito grande e permite que muitas pessoas possam retirar seus livros da gaveta e colocá-los a venda em nossa plataforma, assim teremos livros muito bons e livros muito ruins, pois nós somos só um instrumento nas mãos dos Autores Independentes. Isso é certamente uma inversão do modelo tradicional onde a Editora dá seu aval ao Livro/Autor, no nosso modelo essa relevância será dada pelos próprios leitores através de indicações, comentários e etc. De novo é a logica da internet que reduz a necessidade da intermediação dos avalistas e joga isso para que os próprios usuários também funcionem como avalistas. Assim, não temos porque temer que nosso nome será associado a produtos “dito ruins” pois na outra ponta teremos produtos “dito bons” e não é nossa missão dar aval aos produtos essa missão será dos consumidores a nossa missão é disponibilizar uma plataforma e oportunidades iguais de divulgação (nessa parte entram as Bienais) a todos os autores que desejarem publicar suas obras em nossa plataforma. É certamente um conceito novo e aos poucos as pessoas vão entendendo ele melhor.

Uma vez, o escritor Sérgio Santana disse que as pessoas estão escrevendo demais e que isso é ruim. Que seria melhor se lessem mais. O que você acha disso? Não quero criar nenhuma polêmica com relação a isso, pois não sei em qual contexto isso foi dito, mas fazendo apenas uma análise simplista se eu sou um autor e obviamente desejo que meus livros sejam vendidos também iria preferir que houvesse muito mais leitores que autores. Essa é só minha visão comercial do negocio, é melhor ter uma mercado consumidor ampliado que concorrentes ampliados. Por outro lado, acredito realmente que a PerSe democratiza e amplia a possibilidade de surgirem vários grandes escritores que poderão aparecer para o mercado em função da facilidade de publicar e divulgar suas obras. Quantos excelentes escritores e tem suas obras guardadas na gaveta e que nunca teriam sua qualidade reconhecida ou a teriam mas já na idade avançada, como o que ocorreu com Cora Coralina que só aos 75 anos conseguiu ter seu primeiro livro publicado? Nesse sentido que realmente acredito que essa plataforma é democrática.

O Brasileiro ainda é um povo que compra muitos livros, mas lê pouco. A que você atribui tal fato? Olha ….. eu prefiro ter uma outra visão desse “problema” que é a visão de que quando as pessoas encontram um livro de que gostam e se identificam com ele elas de um modo geral devoram literalmente o livro em questão de horas. Costuma-se dizer que jovens não leem e que livros para jovens tem que ser pequenos (poucas paginas), mas na contramão disso vi a pouco tempo atras os adolescentes devorando Harry Potter em edições cada vez maiores. Assim acredito que a questão está na relevância que aquilo tem para as pessoas, quando é relevante elas vão até o inferno para adquirir e devoram rapidamente ….  É muito difícil aparecer um Harry Potter, mas se aumentamos as possibilidades de novos autores aparecerem as chances de termos mais Harry Potter’s também aumentam. É nisso que acredito e por isso estou investindo na PerSe.

Qual o seu livro predileto? Um livro que me marcou muito foi “Outliers” de Malcolm Gladwell.

 

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MULHERES NO COMANDO DO BRASIL

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(Cédito foto: internet)

Por: Felipe Lucena

A morte da ex-primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, colocou em pauta um velho e constante assunto: mulheres no poder de países. No Brasil, atualmente, temos Dilma Rousseff, como presidente da república. No entanto, o que pouca gente sabe é que Dilma não foi a primeira pessoa do sexo feminino que governou nosso país.

Bem antes de Rousseff, Maria I, Leopoldina e Princesa Isabel foram chefes do Estado Brasileiro. As duas primeiras governaram no período em que o país era reino português. Já a princesa liderou quando o Brasil havia alcançado a condição de império.

D. Maria I foi Rainha reinante do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, em 1815. Na época, o Brasil foi elevado da posição de colônia portuguesa para Reino Unido à Portugal, tendo o Rio de Janeiro como capital.

Muito influente no processo da independência brasileira, Maria Leopoldina atuou como regente no ano de 1822. As opiniões a respeito da libertação do país, em um período um tanto quanto tenso em relação a Portugal, fez de Leopoldina uma pessoa muito querida e idolatrada nacionalmente.

Com o país independente de Portugal, D. Isabel regeu o Brasil em vários períodos (1870 — 1871, 1876 – 1877 e 1887 – 1888). Em uma dessas oportunidades, sancionou em 13 de maio de 1888 a Lei Áurea – que extinguiu a escravidão no Brasil -.

Atualmente, o Brasil tem 11 senadoras, 47 deputadas, 664 prefeitas, duas governadoras. Além da presidente Dilma Rousseff.