‘É PRECISO RESPEITAR A ÉTICA MÉDICA’

Médico responsável por um dos primeiros transplantes de rins do Brasil revela suas opiniões sobre o atual cenário da medicina

Por Felipe Lucena 

Urologista, fez mais de 40 mil cirurgias na carreira.

Urologista, fez mais de 40 mil cirurgias na carreira. (Foto por Humberto Souza)

A história de Daibis Rachid pode ser um enredo de amor. Amor à medicina, amor à vida, amor à família e à esposa Julieta, com quem ele é casado há 52 anos e a quem o “Romeu” se refere como “alicerce”. É também de amor ao próximo. Em uma das paredes da sala do apartamento onde vive com a inseparável companheira, tem uma placa que diz (em libanês): “Meu Deus, abençoe essa casa e a todos que nela entrarem”.

O médico urologista que dedicou boa parte do tempo à profissão, foi, entre muitas outras coisas, Coronel Médico da PM do Rio de Janeiro, chefe de urologia do Hospital da Beneficência Portuguesa e médico do Souza Aguiar. Além de ter sido professor da Faculdade de Medicina de Teresópolis – da qual também é fundador -, na Souza Marques e na pós-graduação da Carlos Chagas. Aposentou-se com mais de 80 anos, tendo feito cerca de 40 mil cirurgias.

Pai de Laila, Daibes Filho, Mariam e Isabele (todos trabalham com medicina) e avô de oito netos, ele nasceu em Cajuri, Viçosa, Minas Gerais. Por lá, quando garoto, ajudava o pai libanês a costurar fardo de tecido para a confecção de roupas. Na família, entre os de sangue e os agregados, são 38 médicos – oito urologistas -, até netos já estão se encaminhando para a área médica, uma delas está no segundo ano do curso.

Muito emocionado ao lembrar a história de vida, principalmente quando falou do irmão Michel Abraão Daibes – que faleceu há mais ou menos um ano e meio -, Rachid concedeu uma interessante entrevista, na qual temas atuais da medicina (além de memórias pessoais) foram destaques.

OCulto: Como o senhor começou sua carreira profissional?

Daibes Rachid: Eu vim de Minas Gerais para o Rio de Janeiro com mais ou menos 20 anos para fazer o antigo cientifico e posteriormente iniciar os estudos de medicina. Fui orientado pelo meu irmão, que já era estudante de medicina. Meu irmão Michel (fica emocionado ao lembrar) ajudou a descobrir em mim a vocação para a medicina. Em 1952, me formei médico na Faculdade de Ciências Médicas, que hoje é da UERJ. Ainda durante a faculdade, eu já trabalhava. Depois de formado, montei meu pequeno consultório no centro da cidade. Meu pai Abrão Daibes e minha mãe, Amélia Cury, me pediram para que meus primeiros pacientes fossem atendidos de graça. Assim eu fiz com muito prazer. Esses pacientes chamaram outros pacientes para meu consultório.

OCulto: Lembra-se de alguma história primordial que fez o senhor escolher o curso de medicina?

Daibes Rachid: Quando eu tinha uns 10 anos de idade, eu e meu irmão ficávamos até tarde da noite ajudando nosso pai a costurar os tecidos que ele vendia. Uma vez, um cliente chamado Corino Araújo (não esqueço o nome dele) chamou a atenção do meu pai: “O senhor fica colocando seus filhos para trabalhar até a essa hora?”. Meu pai, muito inteligente que era, disse: “Senhor Corino, hoje eles costuram fardos de tecido, amanhã vão costurar barrigas”. Por isso guardo até hoje as agulhas que usava para costurar quando menino. Com essas memórias e outras situações da vida, eu não poderia ser outra coisa. Tinha que ser médico.

 OCulto: Quais foram as dificuldades iniciais de sua vida como médico?

Daibes Rachid: Eu não encontrei grandes problemas, pois tive bastante apoio, do meu irmão, que se formou três anos antes de mim. Além dele, trabalhei com o urologista Rui Guiana, grande médico que muito me ensinou. Antes de começar a especialidade com Rui Guiana, eu aprendi a parte de cirurgia geral com Humberto Barreto. Com o Humberto, eu estava no segundo ano de medicina. Ele me disse que lá para o sexto ano, eu entraria na sala de operações. Menos de três semanas depois, eu já estava o ajudando a operar pacientes. Fiquei com o professor Barreto dois anos e fui trabalhar com o Guiana, que havia acabado de chegar dos Estados Unidos, onde ficou 10 anos na chefia da melhor escola de medicina de lá. Eu também queria estudar fora, mas ele me pediu para que ficasse trabalhando com ele. Fiquei por muitos anos. Até depois de formado. Aí, como já tinha alguns clientes, resolvi seguir meu caminho só, montar meu consultório.

 OCulto: Se for possível, poderia detalhar o que o senhor julga ser o maior feito profissional de sua vida?

Daibes Rachid: Fui um dos primeiros a fazer um transplante renal no Rio de Janeiro e no Brasil. Isso me orgulha muito. Fui com uma equipe para São Paulo, que tinha a estrutura necessária para realizar esses transplantes na época, e trouxemos de lá o que precisávamos, montamos no Hospital da Beneficência Portuguesa o aparato para realizarmos alguns dos primeiros transplantes de rins do Rio.

 OCulto: Ser médico ainda é um sonho difícil de alcançar para pessoas de origens menos abastardas financeiramente. O que o senhor acha que deve ser feito para mudar essa realidade?

Daibes Rachid: Algo que pode ser feito é começar como enfermeiro, instrumentador. Vi muita gente iniciar assim: começaram no apoio e galgaram passos maiores, chegando à condição de médicos.

 OCulto: Em sua opinião, o que deve acontecer para que a saúde pública do Brasil melhore?

Daibes Rachid: É preciso respeitar a ética médica. É preciso respeitar e seguir a ética médica. Colocar os estudantes de medicina para trabalhar durante o curso, pagamentos mais dignos, hoje em dia um médico não pode comprar um apartamento, e dar qualidade, estrutura para os profissionais. Além de bons auxiliares. Sem esses pontos não dá para melhorar. Seja na saúde pública ou privada. Trabalhei no Souza Aguiar por dois anos, passei em primeiro em um concurso de títulos apresentados. Nessa época, a saúde pública era melhor, porém, a cidade tinha menos pessoas. Por conta de alguns problemas, eu pedi para sair do Souza Aguiar. Dias depois, fui nomeado para o Hospital da Beneficência Portuguesa. Sei como as coisas são e se não forem tomadas as medidas que citei, ficará difícil melhorar a saúde do nosso país.

OCulto: Qual a opinião do senhor sobre o Programa Mais Médicos?

Daibes Rachid: Não digo que sou contra, mas acho que temos que utilizar os médicos brasileiros antes de tudo. Os que vierem de fora, deveriam antes passar por estudos aqui para se adaptarem às realidades de um novo país, diferente do de onde eles vieram. Acho que pode vir profissionais de fora do país, mas seria bom passar por uma espécie de residência aqui, para entenderem melhor a questão cultural do Brasil.

OCulto: O que o senhor acha dos médicos brasileiros?

Daibes Rachid: O profissional de medicina do Brasil é muito capaz. Muito inteligente. O que falta aqui é estrutura de trabalho, salários mais dignos. Os médicos hoje em dia recebem um valor irrisório para trabalhar.

 OCulto: Quais as lembranças que o senhor leva da medicina?

Daibes Rachid: Quando eu encosto a cabeça no meu travesseiro, peço para Deus para que eu sonhe com os atos cirúrgicos mais difíceis que executei ao longo da minha carreira. Peço até hoje, pois muito me orgulho deles. Sensação de dever cumprido.

OCulto: O senhor fala com muito carinho de Julieta, sua esposa. Como vocês se conheceram?

Daibes Rachid: Eu operei um parente dela. Com isso, me aproximei da família dela. Quando a conheci, me encantei. Foi o maior presente que a medicina me deu.

Urologista, fez mais de 40 mil cirurgias na carreira.

Casal Rachid. (Foto por Humberto de Souza)

OCulto: E na vida pessoal, quais são seus sonhos?

Daibes Rachid: Sempre sonho com minha família feliz. Isso que desejo.

 


MOTORISTA QUE VIROU BARBEIRO

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Oliveira na barbearia do Clube Monte Líbano


Por Felipe Lucena

A Oliveira Barbearia, que fica no Clube Monte Líbano, Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro, é comandada por José Rocha de Oliveira, um senhor de 70 anos que ama a profissão que exerce há 51 aniversários e tem uma história de vida que merece ser contada sem cortes. Como a de muitas outras pessoas que ajudam a compor o cenário dos 450  anos da Cidade Maravilhosa.

Oliveira, como é conhecido, começou a trabalhar no Clube em 1978, por intermédio do presidente na época. Ele era funcionário em um salão no bairro do Castelo, centro do Rio, e foi convidado para assumir a barbearia do Monte Líbano.

O senhor de discurso aparado e objetivo conta quando foi o auge de sua profissão e tem uma explicação no mínimo curiosa para defender a teoria:

“A melhor época para ser barbeiro foi nos anos 1970. Todo mundo era cabeludo e o cabeludo sempre quer dar uma aparada, um jeito no cabelo, um penteado, um reflexo. Então todas as semanas os salões e barbearias ficavam cheios. Foi nessa época que eu ganhei dinheiro, comprei carro, apartamento”.

O experiente barbeiro deu os primeiros passos na profissão em sua terra natal, Viçosa, Minas Gerais, no fim dos anos 1950, começo dos 1960. Por lá, ainda adolescente, ele fez um curso para ser barbeiro. Depois, passou um curto período em São Paulo e com 18 anos veio para o Rio de Janeiro onde exerceu um trabalho no qual ser chamado de “barbeiro” não é nada bom.

“No exército, eu era motorista. Quis ser motorista porque motorista passeava mais. Fiquei dois anos lá, no serviço obrigatório, dei baixa como cabo. Sai para ser barbeiro fora do quartel, já que nas horas vagas, eu já estava fazendo uns bicos na área” disse Oliveira.

Se nos anos 1970, seu Oliveira presenciou o auge da profissão, atualmente, ele sente um pouco a falta de clientes. No entanto, embora tenha uma convincente tese para esse declínio, o barbeiro, com bom humor, afirma que ainda vale a pena continuar no ramo:

“Essa doença que chinês tem de vender máquina de raspar cabelo e a comodidade dos condomínios, que hoje em dia têm de tudo, até barbeiro particular, afasta um pouco as pessoas das barbearias. Mas não culpo ninguém por isso, as coisas são assim. Tenho filhos formados em áreas diferentes, um deles é advogado. Se ele quisesse seguir minha profissão, iria apoiar, pois ele iria ganhar mais dinheiro” sorri.

Além do salão do Clube Monte Líbano, onde ele trabalha ao lado de uma manicure e uma calista, Oliveira tem mais dois salões na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro. Um em Bangu, bairro em que reside, e outro em Campo Grande.

“Em Bangu eu botei um nome bem popular, ‘Barbearia do Zé’ e em Campo Grande se chama ‘Luciana’, em homenagem a minha filha. Eu amo o que eu faço, minha paixão é ser barbeiro. Pretendo continuar fazendo o que gosto enquanto minha saúde deixar”, finaliza Oliveira.


EDITORA DO ‘FAÇA VOCÊ MESMO’

Antonio Hercules comanda a Perse (Crédito da foto: internet)

Antonio Hercules comanda a Perse (Crédito da foto: internet)

Por Felipe Lucena

Sabem a ideia de que você,  antes de morrer, precisa plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro? A Perse, uma editora paulista, facilitou essa missão. Na inovadora filosofia da marca, encabeçada por Antonio Hercules Junior, de 52 anos, o autor é quem faz sozinho a publicação do próprio livro. Basta o escritor postar um miolo revisado e diagramado no site (http://www.perse.com.br ), após um simples cadastro, e o trabalho já fica à venda na internet.

Antonio Hercules, que verá sua editora participar pela primeira vez na Bienal do Rio de Janeiro ( no Rio Centro, em agosto e setembro deste ano), contou que a ideia da Perse nasceu após uma analise em relação ao mercado literário nacional e internacional.

– Observamos a movimentação que estava acontecendo fora do Brasil com as varias plataformas OnLine de publicação (como LuLu, Blurb, Bubok) e também no Brasil com o surgimento de gráficas que começaram a operar com impressão digital e produção sob demanda a partir de um exemplar – disse.

Em entrevista ao OCULTO, Antonio, experiente no ramo editorial, com mais de 20 anos de carreira só no grupo Estado, em São Paulo,  falou sobre o futuro do livro impresso, novas editoras e a situação financeira de quem vive de literatura no Brasil.

Você comanda a editora sozinho ou têm mais pessoas na equipe?  O comando da PerSe é meu, mas temos uma excelente equipe de Funcionários e terceiros que trabalham conosco e dividem esse comando e operação comigo.

Sempre trabalhou no ramo literário?  No ramo literário não, mas no ramo editorial sim, pois trabalhei por 22 anos no Grupo Estado passando por várias áreas (Financeiro, Gráfica Comercial, Gráfica dos Jornais, Circulação dos Jornais, Promoções para os Jornais e Audiências e Marketing de todas as unidades de Negocio do Grupo) e quando saí do Grupo era Responsável pela Circulação dos Jornais e Audiências dos Portais e também pelo Marketing de todas as Unidades de Negocio do Grupo. Em determinado momento dessa minha história, fui o responsável pelas promoções de agregados dos jornais, onde chagamos a ter três/quatro promoções (na maioria das vezes de produtos editoriais) simultâneas em cada um dos dois jornais do Grupo (Estadão e JT).

Vive só da editora ou tem outras atividades?  Há um ano e meio trabalho, exclusivamente na PerSe.

Dá para ganhar dinheiro com literatura no Brasil? Ainda estamos na fase de investimentos na PerSe, é verdade bem próximos do Ponto de Equilíbrio que prevemos alcançar no final deste ano, mas acredito que esse negócio tem sim potencial de gerar resultados positivos. Em nossa visão, esse é o futuro do mercado editorial, a venda de Livros Impressos sob demanda e eBooks por seus próprios autores, acabando com as intermediações. Esse foi o grande benefício que a internet trouxe que foi a possibilidade de contato direto entre o Produtor do Conteúdo e o Consumidor sem intermediários, como aconteceu com o mercado fonográfico. Obviamente que os Players do mercado editorial analisaram o que houve com o mercado fonográfico e estão tentando não cometer os mesmos erros, mas a minha experiencia no mercado de jornais (especialmente no mercado de classificados) onde os jornais não conseguiram defender suas posições no segmento de classificados pois sempre atuaram no mercado de Classificados OnLine de forma defensiva procurando defender seus negócios do Classificado Papel e aí surgiram os Pure Players de Classificados online (Web Motors, Imovel Web, Catho, etc.) e hoje dominam esse seguimento e os jornais perdem cada dia mais espaço. E não tenho duvida de que ainda está acontecendo com o mercado literário e se não mudar, os futuros lideres desse segmento serão empresas Web Puras; digo isso, porque não é sustentável se vender um eBook por um preço 70% do livro impresso, isso não é justificável do ponto de vista econômico (uma vez que o eBook não tem custo variável de produção, somente custos fixos que o livro impresso também tem). Assim, como justificar que um eBook que não tem papel e gráfica envolvidos possa custar 70% do preço de um livro impresso? E sem falar que o Autor, que é o elo mais importante dessa cadeia ainda é o que menos ganha em toda a cadeia. No nosso modelo de negócio o autor define o quanto receberá na venda do livro impresso e na venda do eBook ele Autor define o preço de venda e fica com quase 70% da receita da venda.

Considerando que ainda há um pessoal que acredita e defende que livro deve ser de papel, vocês já sofreram algum tipo de represália por serem uma editora que também trabalha com ebooks? Represália não …. mesmo porque ainda somos muito pequenos. O que vemos sim, é um olhar de curiosidade e de não crença de que esse negócio um dia pode dar certo. Acho que as palavras que definem melhor a relação é Curiosidade (de algumas) e Indiferença (da Maioria).

Como é a relação de vocês com outras editoras digitais? O negocio do Livro Digital ainda é muito pequeno no Brasil, assim, tem muito espaço de crescimento em função disso. A relação é uma relação saudável, pois todos estão tentando ocupar os espaços vagos. Acredito que mais para frente, quando esses espaços estiverem bem mais ocupados, a concorrência ficará mais acirrada.

O livro de papel vai acabar? Sinceramente, não acredito que vá acabar. Acredito sim, que ele será reduzido e bem menor que o do Ebook, mas continuará existindo para públicos específicos, e nesse sentido a produção sob demanda passa a fazer todo o sentido e cada vez menos a produção em grande escala. Por outro lado, para que isso aconteça, o crescimento da base instalada de Book Readers (equipamentos para leituras de eBook) tem que crescer muito ainda no Brasil. Hoje no Brasil, a maior parte desses equipamentos são Tablets, que foram comprados pelas pessoas para uma destinação bem diferente da de Ler Livros/Publicações, foram comprados para basicamente substituir os Laptops e assim são utilizados para acessar internet, redes sociais, jogos e etc e em ultimo plano ler publicações. Quando as pessoas começarem a fazer conta e perceberem que a relação custos beneficio do produtos digitais bacana, aí esse mercado explode mas para isso um eBook não pode custar 70% do livro impresso…

Vocês não temem abrir espaço para qualquer pessoa escrever e alguém fazer um livro muito ruim e com isso associarem de forma negativa ao trabalho da editora? Então …. nós não nos vemos como uma editora tradicional que dá seu aval ao livro quando coloca seu nome naquele livro e por isso mesmo, quase não publicam autores nacionais (somente os consagrados) pois investir em um autor desconhecido e torná-lo conhecido custa muito caro além de ser muito arriscado, pois depois que ele for famoso passará a sofrer assedio das outras editoras e manter esse autor ficará cada vez mais caro. Assim, financeiramente é muito mais negócio comprar os direitos autorais de um Autor de fora, que tenha feito sucesso relativo em seu pais e lançar esse livro aqui dizendo “esse autor fez sucesso em seu pais de origem, por isso ele e bom”. Concorda que isso é muito mais barato e muito menos arriscado para as editoras tradicionais? Diante desse quadro, qual a saída para os novos autores nacionais? Partirem para a Autopublicação tradicional onde as “Editoras” que na verdade são gráficas lhes cobram a partir de R$3.000,00 ou mais e lhes disponibilizam uma quantidade grande de livros que eles depois terão de vender sozinhos ou utilizar a nossa plataforma, onde ele tem que estar com o livro pronto (é verdade, e pronto no sentido de revisado e diagramado) e poderá publicar em nossa plataforma sem nenhum custo, sair divulgando e quando alguém comprar o livro nós produziremos sob demanda e entregaremos ao comprador e pagaremos os Rayalties ao Autor. Assim, o Autor não tem nenhum custo e recebe os Royalties que ele mesmo define o valor.  Como você vê essa facilidade de publicação é muito grande e permite que muitas pessoas possam retirar seus livros da gaveta e colocá-los a venda em nossa plataforma, assim teremos livros muito bons e livros muito ruins, pois nós somos só um instrumento nas mãos dos Autores Independentes. Isso é certamente uma inversão do modelo tradicional onde a Editora dá seu aval ao Livro/Autor, no nosso modelo essa relevância será dada pelos próprios leitores através de indicações, comentários e etc. De novo é a logica da internet que reduz a necessidade da intermediação dos avalistas e joga isso para que os próprios usuários também funcionem como avalistas. Assim, não temos porque temer que nosso nome será associado a produtos “dito ruins” pois na outra ponta teremos produtos “dito bons” e não é nossa missão dar aval aos produtos essa missão será dos consumidores a nossa missão é disponibilizar uma plataforma e oportunidades iguais de divulgação (nessa parte entram as Bienais) a todos os autores que desejarem publicar suas obras em nossa plataforma. É certamente um conceito novo e aos poucos as pessoas vão entendendo ele melhor.

Uma vez, o escritor Sérgio Santana disse que as pessoas estão escrevendo demais e que isso é ruim. Que seria melhor se lessem mais. O que você acha disso? Não quero criar nenhuma polêmica com relação a isso, pois não sei em qual contexto isso foi dito, mas fazendo apenas uma análise simplista se eu sou um autor e obviamente desejo que meus livros sejam vendidos também iria preferir que houvesse muito mais leitores que autores. Essa é só minha visão comercial do negocio, é melhor ter uma mercado consumidor ampliado que concorrentes ampliados. Por outro lado, acredito realmente que a PerSe democratiza e amplia a possibilidade de surgirem vários grandes escritores que poderão aparecer para o mercado em função da facilidade de publicar e divulgar suas obras. Quantos excelentes escritores e tem suas obras guardadas na gaveta e que nunca teriam sua qualidade reconhecida ou a teriam mas já na idade avançada, como o que ocorreu com Cora Coralina que só aos 75 anos conseguiu ter seu primeiro livro publicado? Nesse sentido que realmente acredito que essa plataforma é democrática.

O Brasileiro ainda é um povo que compra muitos livros, mas lê pouco. A que você atribui tal fato? Olha ….. eu prefiro ter uma outra visão desse “problema” que é a visão de que quando as pessoas encontram um livro de que gostam e se identificam com ele elas de um modo geral devoram literalmente o livro em questão de horas. Costuma-se dizer que jovens não leem e que livros para jovens tem que ser pequenos (poucas paginas), mas na contramão disso vi a pouco tempo atras os adolescentes devorando Harry Potter em edições cada vez maiores. Assim acredito que a questão está na relevância que aquilo tem para as pessoas, quando é relevante elas vão até o inferno para adquirir e devoram rapidamente ….  É muito difícil aparecer um Harry Potter, mas se aumentamos as possibilidades de novos autores aparecerem as chances de termos mais Harry Potter’s também aumentam. É nisso que acredito e por isso estou investindo na PerSe.

Qual o seu livro predileto? Um livro que me marcou muito foi “Outliers” de Malcolm Gladwell.

 

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REVISTA MAIS TEMIDA DO BRASIL

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Por Felipe Lucena

A revista Piauí é uma publicação composta por matérias jornalísticas ricas em detalhes.  Esses detalhes têm ajudado para que alguns debates sejam levantados e para que “tabus” sejam derrubados. Por coincidência ou não, depois de entrevistas à revista, o ex-ministro da defesa Nelson Jobim perdeu seu mandato, o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Texeira, deixou o poder e as opiniões do pastor evangélico Silas Malafáia passaram a ser publicamente discutidas.

Nelson Jobim foi Ministro da Defesa do Brasil do dia 25 de junho de 2007 até 4 de agosto de 2011. Jobim se demitiu do mandato dias depois que uma edição da Piauí chegou às bancas. Nessa publicação, ele disse que a Ministra de Relações Institucionais Ideli Salvatti era “muito fraquinha” e a Ministra-Chefe da Casa Civil Gleisi Hoffmann “sequer conhece Brasília”.

Ricardo Texeira presidiu a CBF por 23 anos. Durante essas mais de duas décadas, denúncias e mais denuncias de corrupção em seu mandato foram divulgadas pela mídia. No entanto, uma entrevista dada à Piauí jogou de vez o assunto para o debate popular. Na edição de julho de 2011, Ricardo deixou público que tinha total controle sobre o futebol nacional e que nada, nem ninguém, o impedia de fazer o que queria. Em março deste ano, ele renunciou o cargo sob uma chuva de notícias que colocavam em cheque a honestidade de sua gestão.

Nos últimos meses, uma polêmica briga entre as igrejas Universal, Mundial e Assembleia de Deus ganhou destaque nos noticiários brasileiros. Apesar de o conflito entre relegiões ser tão antigo quanto as mesmas, pode se dizer que tudo “começou” depois que a entrevista que o Pastor Silas Malafia concedeu à Piauí foi publicada. Silas criticou líderes de outras igrejas, questionando a forma como eles administram o dinheiro que é dados pelos fiéis.

“Vê se outro pastor faz isso que eu faço. Eu divulgo onde gasto cada centavo que recebo. Vai lá no R. R. Soares e manda ele dizer onde ele põe a grana, vai lá no Edir Macedo e vê se ele abre as finanças dele”,  disse Silas em um trecho da entrevista.

Para João Moreira Salles, idealizador da Piauí, o que a publicação faz é contar bem uma história. Na edição deste mês, a revista traz a matéria “Escândalos da República”, que mostra onde foram parar os jornalistas que cobriram o impeachment de Fernando Collor.


REDE SOCIAL COM BONS ASSUNTOS

Por Felipe Lucena

Para muitos, o maior problema das redes sociais mais populares é o grande numero de postagens fúteis. No que depender de um site brasileiro criado em 2009 por Lindenberg Moreira essa adversidade é assunto encerado. Trata-se do Skoob (http://www.skoob.com.br) uma rede social dedicada à literatura.

No Skoob (que quer dizer livro em inglês – book – ao contrário) o usuário pode fazer amigos e montar uma ‘estante virtual’ com os livros que estão sendo, já foram ou serão lidos. No site também há um espaço para que as pessoas escrevam resenhas literárias, além dos grupos de debate onde a pauta é literatura. A página permite uma interatividade com outras redes sociais como Twitter e Facebook e com lojas de comércio eletrônico, como Saraiva, Americanas.com e Submarino.

No site oficial, na sessão ‘o que somos’ tem o seguinte texto: “Aqui é o lugar para onde as pessoas boas foram e onde elas se encontram”.  É também um lugar para fazer novos amigos, tem muita gente que gosta dos mesmos livros que você, nosso papel é ajudá-lo a encontrar essas pessoas e saber quais são suas dicas para a sua próxima leitura.

Para entrar no Skoob basta fazer um simples cadastro na própria página da rede.


DROGA MAIS BARATA E AGRESSIVA QUE O CRAK

Geral

Pedra de Oxi

Por Felipe Lucena

A substancia é conhecida como Oxi. A droga é composta por uma mistura de pasta-base de cocaína, querosene e cal virgem. O entorpecente é vendido em formato de pedras e custa, em média, dois reais a unidade. O Oxi causa no usuário uma fortíssima sensação alucinógena.

Há cerca de trinta anos a droga já existe e causa grandes estragos em usuários no Acre. Nos últimos meses, o Oxi tem ficado cada vez mais popular nos grandes centros brasileiros. “Ela já chegou ao Piauí, à Paraíba, ao Maranhão, a Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro”, diz Álvaro Mendes, vice-presidente da Associação Brasileira de Redução de Danos.

Duas características do Oxi fazem com que a droga se espalhe cada vez mais rápido: o preço e o forte poder alucinógeno. “Quando surge uma droga mais poderosa, mais barata e fácil de produzir, a tendência é que ela se dissemine”, diz Ronaldo Laranjeira, psiquiatra da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

As informações sobre os efeitos do Oxi em seres humanos ainda são poucas. O que se sabe é que por causa da composição formada por elementos químicos agressivos, ela afeta o organismo mais rapidamente. Uma das poucas pesquisas conhecidas sobre a droga foi conduzida por Álvaro Mendes, da Associação Brasileira de Redução de Danos, em parceria com o Ministério da Saúde. Foram acompanhados cem pacientes que fumavam Oxi. A droga matou um terço dos usuários no prazo de um ano.