VOLTA OLÍMPICA: GOLFE E RUGBY

Por Felipe Lucena

As Olimpíadas do Rio de Janeiro, entre outros aspectos, serão marcadas pelo retorno de dois esportes ao quadro de competições: Golfe e Rugby. Esse regresso pode estar construindo uma era de maior popularidade para essas modalidades esportivas.

Golfe-nos-Jogos-Olmpicos-de-1904

Mais de um século separa o Golfe de uma edição de Jogos Olímpicos. O esporte foi retirado da competição em 1904. O Rugby fez parte de uma Olimpíada pela última vez em Paris, no ano 1924. As modalidades foram excluídas da condição de olímpicas por serem, na época, esportes pouco populares. Agora, elas voltaram ao circuito com moral.

Rugby-Olmpico

Na votação realizada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), no dia 9 de outubro de 2009, a fim de definir se os esportes voltariam aos Jogos, o Golfe obteve 63 votos a favor, 27 contra e duas abstenções. Como precisava da maioria simples, a modalidade esportiva teve seu regresso assegurado. O Rugby, que na Rio-2016 será jogado em uma versão com sete jogadores, voltou ao cenário com uma reação ainda mais simbólica: 81 votos a favor e oito contra, além de apenas uma abstenção.

O Golfe no Rio 2016

De acordo com Paulo Cezar Pacheco, presidente da Confederação Brasileira de Golfe (CBG), a presença do Golfe nos Jogos Olímpicos do Rio é fundamental para que o esporte se fortaleça no Brasil – o que ele garante que já vem acontecendo:

“A volta do Golfe aos Jogos Olímpicos é um marco no esporte e o fato de isso acontecer justamente no Rio de Janeiro é um grande presente que o Golfe brasileiro recebeu. Teremos como grande legado o Campo Olímpico, primeiro campo público brasileiro de grandeza internacional, que poderá abrir as portas para outros eventos de grande importância mundial. Com parcerias com o COB (Comitê Olímpico Brasileiro), via lei Agnelo/Piva e do Ministério do Esporte, estruturamos de forma muito profissional o alto rendimento e a base do Golfe nacional nos últimos anos, nos preparando para a Rio-2016 e para Tóquio-2020. Criamos também projetos como o “Golfe para a Vida” que já capacitou mais de 260 professores de educação física para ensinar os fundamentos da modalidade a mais de 50 mil crianças em várias cidades brasileiras, dentro das suas escolas” diz Paulo Cesar.

Após algumas polêmicas – como a questão da preservarão ambiental e uma investigação sobre ganhos ilícitos da prefeitura com a obra – o campo de Golfe Olímpico ficou pronto e já foi testado por alguns atletas.

A importância histórica da volta do Golfe aos Jogos Olímpicos é indiscutível. Dentro dessa esfera maior que é o esporte como um todo, estão os atletas, que sabem do peso desse acontecimento. Lucas Lee, golfista brasileiro com chances reais de disputar a Rio-2016 através do ranking mundial.

“Esse retorno está dando uma visibilidade sem precedentes para o esporte. Na minha última passagem pelo Brasil, por exemplo, fui entrevistado pelo Globo Esporte e pelo Jornal da Globo, algo impensável alguns anos atrás. Imagino que a cobertura que a mídia dará ao Golfe durante os Jogos Olímpicos atrairá muito a atenção dos brasileiros, já que os melhores golfistas do mundo estarão no Rio de Janeiro” conta Lucas.

O Rugby no Rio 2016

Estdio-de-Deodoro

O Rugby nos Jogos do Rio será disputado no Estádio de Deodoro, que ficará no complexo esportivo que está sendo erguido no bairro da zona oeste da cidade.

A opinião de Fernando Portugal, jogador da seleção masculina de Rugby Sevens, assemelha-se a de Lucas Lee. Fernando comenta a grande missão dos brasileiros: “Estamos vivendo um momento mágico do Rugby e do esporte brasileiro. Disputar os Jogos Olímpicos é o maior sonho de qualquer atleta. Temos uma responsabilidade enorme jogando em casa, contra os melhores do mundo” conta o jogador.

Títulos, conquistas e visibilidade internacional também ajudam e muito a popularizar uma modalidade esportiva.

As Tupis, como são chamadas as meninas da Seleção Brasileira Feminina de Rugby Sevens, ganharam uma medalha de bronze inédita nos Jogos Pan-americanos de 2015. De quebra, garantiram uma vaga nas Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro.

Tupis

“Fomos para Toronto com o objetivo de conquistar uma medalha e alcançamos nossa meta com esse bronze – a vaga olímpica. Foi um torneio muito duro, diante de adversárias fortes. Foi também a estreia do Rugby feminino no Pan, então colocamos nosso nome na história da competição com a conquista e isso ajuda muito o esporte”, afirmou Paulinha Ishibashi, capitã da equipe.

Brasil vem realizando ações para popularizar o golfe

Historicamente, Golfe e Rugby não são esportes praticados nas camadas economicamente mais carentes das populações dos países pelo mundo. Entretanto, no Brasil, algumas ações vêm sendo realizadas para sermos mais uma exceção à regra.

Em 2005, foi criado, através da Associação Golfe Público de Japeri, o primeiro campo público do Brasil, que foi construído a partir de patrocínios e doações: O Japeri Golfe Clube tem nove buracos, possui ainda um Driving Range (área de prática) e a Associação disponibiliza aluguel de equipamentos. O espaço também é sede de uma escolinha de Golfe, que atende a mais de 100 crianças com idades entre sete e 17 anos, moradoras de

No campo já brotaram muitos talentos do esporte. Um deles é Cristian Barcelos, segundo colocado no ranking estadual adulto, na categoria masculina scratch. Uma das promessas do esporte nacional. Cristian, que hoje tem vinte anos, quando ainda era um adolescente oriundo de um dos munícipios mais pobres do estado do Rio de Janeiro (Japeri), foi premiado com uma semana de treinamento na David Leadbetter Golf Academy, uma das melhores clínicas de Golfe do mundo, que fica no estado norte-americano da Flórida. Por lá, o garoto passou por treinamentos e palestras sobre preparo psicológico durante partidas e competições. Ele lembra o acontecido: “Foi uma das viagens mais legais da minha vida. Além de melhorar no Golfe, aprendi muitas outras coisas” recordou o garoto.

Cristian-Barcelos

Rugby na areia pela democratização do esporte

Outro grão nessa imensidão que visa à democratização dos dois esportes no Brasil é a disputa dos campeonatos de Rugby na areia. Nada mais agregador que as praias do Rio de Janeiro. E é na orla carioca que são realizadas as partidas do Campeonato Fluminense, que tem séries A e B, além de competições também no feminino.

Os admiradores desse esporte terão um “ponto fixo” para assistir e praticar Rugby no Rio de Janeiro. No dia 24/6/2015, a Confederação Brasileira de Rugby (CBRu) e a World Rugby (Federação Internacional) inauguram o primeiro campo de Rugby fixo em uma praia do Brasil. A estrutura com as duas traves em formato de “H”, tradicional da modalidade, ficam na praia de Copacabana, entre o número 1.130 da Av. Atlântica e a Avenida Princesa Isabel.

“Com o campo de Rugby em Copacabana queremos disseminar e popularizar a modalidade na cidade-sede dos Jogos Olímpicos. Ter um campo na praia ajudará a que as pessoas fiquem mais próximas ao Rugby no seu dia a dia e possam facilmente começar a se animar a praticá-lo. Sabemos que nos jogos o torneio de Rugby irá atrair muitos torcedores brasileiros e estrangeiros. Com o campo na praia mais famosa do país, vamos também buscar o engajamento desse público” afirma Agustin Danza, CEO da CBRu.

“Nunca o Golfe foi tão conhecido pelo brasileiro. Hoje ele é um esporte possível de ser praticado por toda a sociedade” garantiu Paulo Cezar Pacheco, presidente da Confederação Brasileira de Golfe.

Que assim seja. Que as opiniões de Agustin Danza e de Paulo Cezar sejam cada vez mais repetidas por aí. Esse é um jogo que todos ganham.


FELIPÃO E MAIS 10

O novo treinador da Seleção é o 11º da história a assumir a equipe em mais de uma oportunidade

(Foto: divulgação)

(Foto: divulgação)

Por Felipe Lucena

Luiz Felipe Scolari, que será o técnico da Seleção Brasileira de futebol a partir de 2013, já comandou a equipe nacional anos atrás. No entanto, Felipão não foi o primeiro treinador da Seleção a deixar o cargo e tempos depois reassumi-lo. Ele é o 11º de uma lista que conta com  nomes como Parreira, Telê Santana e Zagallo.

O primeiro treinador da história da Seleção Brasileira já havia feito o que Felipão está fazendo. Silvio Lagreca comandou o Brasil em 1914. Dois anos e três técnicos depois, ele voltou ao cargo. Lagreca ainda treinou o time nacional, em uma última oportunidade, quase 30 anos mais tarde, em 1940.

Ferreira Neto usou e abusou das idas e vindas. Ele esteve à frente da equipe em 1918. No ano seguinte, após algumas trocas no comando, Neto retornou. Em 1921, lá estava ele outra vez. Um ano depois, Amílcar Barbuy e Célio de Barros não vingaram  na função e Ferreira regressou ao posto de treinador do time do Brasil.

No ano de 1943, a Seleção do Brasil não realizou nenhuma partida. Após o hiato, Flávio Costa se tornou treinador da equipe. Em 1944, Costa deu lugar ao português Joreca. Lugar, que ele logo recuperou. No ano de1945, Flávio Costa era outra vez técnico do time brasileiro. Uma década depois, lá estava o mesmo Flávio, no mesmo cargo.

Zezé Moreira foi dono do posto de treinador da Seleção Brasileira de futebol em 1952 e posteriormente em 1954. Um ano antes, ele foi substituído por seu irmão, Aymoré Moreira, que também está na lista de comandantes “ioiô” (o brinquedo que vai e volta) do Brasil. Aymoré trabalhou  na Seleção em 1965 – após alguns nomes, como o do Argentino Filpo Nuñez -, em 1967 e no ano seguinte, quando entrou no lugar de Zagallo.

Zagallo é outro que tem histórias de idas e vindas para contar. O Velho Lobo comandou os selecionados do país do futebol em cinco oportunidades. Nos confusos anos de 1967 e 1968 (quando o Brasil chegou a ter sete técnicos diferentes), na conquista do tri em 1970, após o tetra em 1994 e no vice-campeonato mundial em 1998.

(Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)

Dois nomes  menos conhecidos, porém não menos importantes também estão na lista. Osvaldo Brandão, que assumiu a Seleção em 1956, saiu e voltou em 1957 e regressou em 1975 (em uma das deixas de Zagalo). E Vicente Feola, que comandou o time de 1955, no primeiro título de Copa do Mundo do Brasil (em 1958),  além dos anos de 1960, 1965 e 1966.

Feola (Crédito: Web)

Feola (Crédito: Web)

Se Feola e Brandão não têm a fama que merecem, os outros dois que fecham esse seleto grupo de treinadores são extremamente populares. Carlos Alberto Parreira treinou o Brasil três vezes. A primeira delas foi em 1983. A segunda em 1991. A terceira, e mais vitoriosa, foi em 1994, ano do quarto título mundial do Brasil. Telê Santana é lembrado por ter montado as melhores equipes da história do futebol tupiniquim. Telê liderou a Seleção em 1980 até 1982 e depois em 1985 até o ano seguinte.

Boa sorte a Luiz Felipe Scolari, o 11º nome dessa página que faz parte da rica história da Seleção Brasileira de futebol.


TACADA NA MISÉRIA

Bate bola no treino em Japeri (Crédito: divulgação)

Por Felipe Lucena

Japeri é um dos municípios com um dos mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do estado do Rio de Janeiro. No entanto, um esporte considerado de elite, vem mudando a situação de muitas crianças carentes dessa cidade. Encontra-se em Japeri o primeiro campo público de golfe do Brasil, e através dele mais de 120 crianças da região são beneficiadas.

O Japeri Golfe foi criado em 2005. No ano seguinte, a escola de golfe começou a funcionar. Atualmente, além das aulas sobre o esporte, o projeto dá às crianças cestas básicas, reforço escolar, além de ajudar em questões de saúde, como em tratamentos dentários. Muitos jovens chegam ao clube só por causa dos lanches que são dados e acabam ficando para os treinos.

A idealizadora do projeto, Vicky Whyte, que já foi vice-presidente técnica da Confederação Brasileira de Golfe (CBG) e presidente da Federação de Golfe do Estado do Rio de Janeiro (FGERJ), revelou que no começo achou a ideia ambiciosa.

– O então prefeito de Japeri, Carlos de Moraes, nos procurou querendo criar um campo de golfe no município. A ideia parecia ambiciosa. E era. Logo depois, sentimos a necessidade de criar a escola de golfe. Hoje sabemos que o campo só faz sentido com os meninos treinando duro por lá e melhorando o rendimento nos estudos – afirmou.

Desde de 2008 no projeto, o técnico Tiago Silva, que já foi caddie (pessoa que carrega a bolsa de tacos de um jogador de golfe) frisa a importância social que o projeto tem no carente município.

– O mais importante é poder ajudar as crianças com cestas básicas, reforço escolar, dando oportunidades de conhecer outros lugares. Além de estarem praticando um esporte em vez de estarem nas ruas indo por caminhos errados – disse.

Sete atletas do projeto estão no ranking nacional de golfe. Entre eles está Cristian Barcelos, de 17 anos, que foi campeão Brasileiro Juvenil de 2012. Ele é o 1º do ranking juvenil e adulto do estado do Rio de Janeiro e 2º do nacional juvenil. Essas posições levaram o menino a entrar para o ranking mundial. Cristian foi premiado com uma semana de treinamento na David Leadbetter Golf Academy, uma das melhores clínicas de golfe do mundo, que fica na Flórida. Por lá, o garoto passou por treinamentos e palestras sobre preparo psicológico durante partidas e competições.

– Foi a viagem mais legal da minha vida. Além de melhorar no golfe, aprendi muitas outras coisas. Quero muito voltar lá, mas sei que preciso aprender a falar inglês para tirar mais proveito – contou.


FUTEBOL ECONÔMICO

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Por Felipe Lucena

A história prova que países com economias fortes têm seleções de futebol com excelentes defesas. Uruguai, Itália e Alemanha sabem disso. Hoje é o Brasil quem vive essa realidade.

Em 1930, o Uruguai ainda colhia frutos por ser “a Suíça das Américas”. E foi sobre essa alcunha que a Celeste levantou a primeira Copa do Mundo de futebol da história. Apesar de ter uma seleção poderosíssima, um dos maiores destaques do time era a defesa, que acabou sendo a menos vazada da competição.

A Itália ficou arrasada após a primeira Guerra Mundial (1914 – 1918). Esse fato serviu de oportunidade para o crescimento do Partido Fascista. As atrocidades causadas pelo fascismo de Mussolini são injustificáveis, mas a história mostra que o ditador recuperou economicamente a Itália pós-guerra. Foi sobre essa sombra que a Azzurra conquistou a Copa de 1934, sofrendo apenas três gols em todo o torneio.

A Alemanha é tri-campeã mundial de futebol. Quem acompanha o esporte sabe que eles são conhecidos pela disciplina tática, sobretudo no campo defensivo. Na conquista de 1954 e na de 1974 o país estava dividido: do lado ocidental, uma economia livre, que apesar dos problemas, apontava um alto crescimento. Do outro, o lado oriental, um Estado economicamente dependente da extinta União Soviética. A Alemanha Ocidental venceu essas duas Copas. E em 1990, com o país já unificado (funcionando nos moldes ocidentais) veio a terceira taça.

No Brasil vemos essa história se repetir. Conquistamos nossa estabilidade econômica em meados da década de 1990 e no começo dos anos 2000. No ano de 1994, com uma equipe de um sistema defensivo organizadíssimo trouxemos o Tetra Campeonato (20 anos depois do Tri), sendo a segunda defesa que menos levou gols na competição. Em 2002, tínhamos uma seleção com três zagueiros e atacantes questionados. Foi esse time que nos deu o Penta.

Esse ano chegamos ao posto de sexta economia mundial e o único setor onde não temos problemas com atuação de jogadores de futebol é na defesa.


O DE 100 ANOS E OS MENORES DE 20 ANOS

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Por Felipe Lucena

Em 2012, o América Mineiro, um dos clubes mais tradicionais do futebol brasileiro chegará a seu centenário. No ano de 2011, o coelho deu de presente para sua torcida o titulo do campeonato Brasileiro de futebol sub-20.

Para muitos, em um determinado momento da história, o América foi o maior time de futebol do estado de Minas. Não é por pouco, considerando que o coelho foi decampeão mineiro entre 1916 e 1925. Na sala de troféus do América também estão a Série B do Brasileiro de 1997, a Sul – Minas de 2000, e a Série C do Brasileiro de 2009.

Em 2011 o América Mineiro conquistou o campeonato Brasileiro sub-20, vencendo na final a forte equipe do Fluminense. O time de Minas tem um bom investimento nas categorias de base, sempre vencendo campeonatos e revelando grandes jogadores, como Éder, Fred e Gilberto Silva.

No horóscopo chinês o coelho representa longevidade. Apesar do rebaixamento no brasileirão de 2011, o América mostra, com o título do sub-20, que ainda comemorará muitos centenários.


AGIR RÁPIDO É PRECISO

O futebol resume a vida em 4 linhas

O Fluminense ainda é o atual campeão brasileiro. No entanto, o Flu demorou quase 1 turno inteiro para defender esse cinturão com o devido futebol. O que a torcida lamenta é que o time carioca tinha uma equipe capaz de levar o caneco. Demorou demais para acordar. Agora já era. “A vida não permite ensaios”.